Perceber as qualidades não passa pelo processo de comparação com o outro. Ao contrário, comparar é ignorar que um ser humano é único e irrepetível, que tem sua própria contribuição a dar e que por isso não tem o que o outro tem e tem o que o outro não tem. Precisamos superar o péssimo hábito de comparar as pessoas ou mesmo, de nos compararmos aos outros. Ao comparar estamos desvalorizando a obra de Deus em nós e valorizando, muitas vezes o que Ele faz no outro; ou mesmo, para os mais orgulhosos, valorizando o que Ele fez em você e desvalorizando a obra do Senhor no outro. É um erro e um ato mesquinho. É preciso valorizar o que Deus faz em cada um, pois assim aprenderemos a conhecer as potencialidades e limitações e poderemos trabalhar para colocar tudo a serviço do Reino!
Segue abaixo o comentário de Taiguara Fernandes de Sousa:
"Nestes dias ouvimos muito falar do Papa Francisco, que abençoou nossa Terra de Santa Cruz com sua presença paternal. Mas este meu pequeno texto não é sobre ele.
Ocorre que também ouvimos muito falar do Papa Emérito Bento XVI. Gostaria de dizer que ouvimos falar bem, mas nem sempre foi assim. Durante toda a JMJ, várias pessoas - para nossa vergonha, católicos inclusive - tentaram por diversas vezes opor o Papa Bento XVI ao Papa Francisco. Adotaram com isso o discurso da mídia anticatólica e laicista, que odiava Bento XVI por sua firme defesa dos valores cristãos. Se aliaram aos lobos, contra os quais Bento XVI pediu orações no dia que foi eleito.
Há quem diga que o Papa Francisco mostra
mais simplicidade, enquanto Bento XVI só mostrava luxo e pompa. É bom
ressaltar que Bento XVI tinha com uma de suas maiores preocupações a
beleza da liturgia. Os paramentos que usava, os objetos litúrgicos e
tudo o mais eram expressão de uma preocupação não consigo, mas com Deus.
Era o princípio da liturgia aplicado: para Deus sempre o melhor e o
mais bonito. Isso não quer dizer uma preocupação com pompa e luxo, mas
sim uma preocupação com fazer o melhor para Deus - portanto, humildade
diante do Criador. Papa Francisco, se tem um estilo litúrgico diferente,
não deixa, nem por isso, de prezar pela beleza da liturgia, como fazia
seu antecessor. Por outro lado, todos os que convivem com Bento XVI dão
mostra de sua incrível simplicidade, amabilidade e ternura - inclusive o
próprio Papa Francisco! Há quem diga, entre os que o conhecem
pessoalmente, que nunca viram pessoa de maior doçura.Ouvimos também dizer que Papa Francisco é simpático e carismático, enquanto Bento XVI era orgulhoso e pedante. Parece que não existem pessoas tímidas no mundo! Fala-se como se os tímidos fossem necessariamente orgulhosos ou como se a timidez fosse um defeito. Bento XVI nunca escondeu que era tímido e, mesmo assim, se esforçou sempre por estar com o povo fiel, cumprindo todas as obrigações do ministério petrino (inclusive inúmeras viagens internacionais já em idade avançada), estando próximo aos católicos do mundo inteiro. Um tímido fazer isso é um esforço tremendo! E ele fez. Não se fechou: se abriu por amor ao rebanho.
Disseram ainda que Papa Francisco atrai gente e Bento XVI não. Esquecem dos 1,5 milhão de jovens que, na chuva em Madri, ficaram com Bento XVI na JMJ de 2011? Bento XVI foi um Papa da palavra, que soube falar aos ateus, aos agnósticos, que converteu 400 mil anglicanos; foi responsável pelo diálogo com as instâncias políticas da União Européia, da ONU, da Casa Branca, defendendo os direitos do homem. Era um Papa que sabia falar com filosofia, com a razão, a políticos e homens de ciência. Era um Papa professor. Quem não lembra de como suas homilias e catequeses eram verdadeiras aulas? Quem não lembra como ele conseguia explicar com facilidade e clareza de raciocínio os assuntos mais difíceis da teologia? Era belo assistir ao Papa professor dando uma aula sobre Fé.
Agora temos um Papa que tem outro estilo, um estilo pregador, para as multidões - coisa própria dos jesuítas. Qual o problema? Qual a oposição? Os dois complementares.
Tivemos João Paulo II, um filósofo; Bento XVI, um teólogo; agora Francisco, um pregador. Por que, ao invés de criticar, não amamos esta riqueza da Providência?
Por fim, ouvi também dizerem que o Papa Francisco mostra uma entrega mais total ao Cristo, enquanto Bento XVI não mostrava isso. Creio que se o Papa Francisco ouvisse isso, ele próprio perderia a compostura com quem o dissesse... Bento XVI queria terminar sua vida - ele disse - como um professor escrevendo livros (esse é o soberbo de que falam?) e aos 78 anos foi chamado para o Papado e aceitou, por amor da Igreja, até se esgotarem todas as suas forças e renunciar dizendo que "já tinha chegado ao seu limite". Dizer desse homem que sua entrega não foi total é não só uma maledicência, como uma injustiça tremenda.
Católicos, hoje o Papa Francisco pediu que não fôssemos "cristãos de fachada". Parem de adotar esse discurso da mídia anticatólica, de ficar opondo um Papa a outro - quando o próprio Papa Francisco sempre fala do seu amor a Bento XVI - porque isso é não só indigno de um verdadeiro cristão, como é uma tentação do próprio Demônio. Afinal, como disse Jesus, "a boca fala aquilo de que o coração está cheio".
Queria dizer outras coisas, mas esta postagem ia ser pequena e já vai longe. Talvez escreva mais depois. Por ora, fico por aqui."
Olá irmão, paz e bem!
ResponderExcluirRealmente comparações são sempre falhas e tendenciosas.
Porém penso que mais do que uma simples análise superficial dos últimos pontificados, comparando o jeito de vestir, falar ou se relacionar dos papas, o mais importante é perceber as mudanças de perspectivas no que se refere a temas como a eclesiologia, os diversos desafios pastorais da atualidade, a liturgia, e diversos outros temas pertinentes à Igreja.
Neste sentido vemos diferenças marcantes entre os vários Papas, principalmente se pensarmos a partir de João XXIII, que marcaram profundamente a história da Igreja nas últimas décadas. Penso que ocorreram muitos acertos, mas as falhas e lacunas que ficaram não podem ser esquecidas. Basta pensar que estamos celebrando os cinquenta anos do Concílio Vaticano II e ainda falta muito o que fazer para que suas propostas sejam realmente postas em prática. Percebemos até mesmo uma certa resistência aos ensinamentos conciliares, em que alguns ainda esperam a volta de uma Igreja Tridentina.
Acredito que as diferenças entre os dois pontífices, Bento XVI e Francisco, são principalmente no âmbito da teologia e da pastoral, onde temos um teólogo mais acadêmico, ligado aos grandes debates envolvendo a Igreja, com diversos doutorados, e de outro lado um teólogo mais ligado à práxis, que faz questão de conhecer sua realidade, interagir com o mundo, buscando no Evangelho respostas aos anseios mais concretos da humanidade. Essa característica, ao meu ver, em poucas palavras, é o que tem aguçado a percepção das pessoas quanto às diferenças dos papas e as levam a fazerem as comparações, assim como temos visto.
Essas ideias não são uma crítica ao artigo acima, que sem dúvida lança luzes sobre pontos importantes, mas gostaria apenas de acrescentar algumas ideias que poderão enriquecer essa reflexão.
Olá Rodolfo, paz e bem!
ResponderExcluirAgradeço por sua contribuição, com certeza já enriqueceu a reflexão!
De fato, comparar buscando entender as diferenças e, sobretudo, perceber a pedagogia divina que guia a Igreja enviando perfis diferentes e necessários para cada momento histórico é sempre uma atitude bem-vinda! A grande questão é que muitos comparam de maneira negativa, tentando mostrar qual é o melhor de maneira simplista.
Abraço e que Deus te abençoe!