sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Ceder ou recomeçar?



Quero partilhar mais um ótimo artigo que encontrei num site focolarino. 

"Tudo ao nosso redor parece fomentar a convicção de que "casou e não deu certo? Separa!". Aliás, muita gente já casa tendo diante de si essa perspectiva. Não é um simples modo de dizer. O fenômeno é muito complexo, mas pode ter como causa principal uma cultura que apresenta o bem-estar individual como única referência para as escolhas das pessoas; uma cultura que torna as pessoas incapazes de enfrentar os sacrifícios e de conviver com os sofrimentos que a vida apresenta. O nível de tolerância diante das dificuldades que uma vida a dois provoca é cada vez menor.
Assim como é cada vez menor o número de casais que estão preparados para encarar o casamento como uma escolha para toda a vida e que envolve a vida de outras pessoas, começando pelo outro cônjuge e pelos filhos.
Além do mais, na sociedade do bem-estar em que vivemos, cada um tem a "obrigação" de ser feliz, de apresentar-se bem, física e mentalmente e de fugir de situações que podem demandar sacrifícios, dedicação, abnegação. Nesse contexto, a conhecida fórmula do matrimônio da Igreja Católica: "Prometo ser-te fiel na alegria e na dor, na saúde e na doença, amando-te e respeitando-te durante toda a minha vida" não passa, muitas vezes, de uma promessa, relegada à recordação de um momento emocionante, de caráter social.
Segundo o psicólogo Paulo Roberto Rech, do Rio de Janeiro, especialista em psicologia familiar, um dos principais fatores que conduzem à separação é a "incomunicabilidade" na vida dos casais, apesar das facilidades que a tecnologia oferece para a comunicação interpessoal. O que leva a isso? Na opinião do especialista, é "o fato de vivermos mergulhados em um turbilhão de informações que leva o indivíduo a saber das mazelas da Índia e da China, mas que o impede de saber o que o seu filho ou a sua esposa pensa".
Para Rech, o estilo de vida de hoje pode conduzir a um individualismo exacerbado. "Creio que hoje temos um excessivo 'pensar em si mesmo', na própria felicidade, no próprio sucesso, na realização pessoal. Enquanto o casal só cresce e se realiza na relação, na comunhão de vida", afirma o psicólogo. E conclui: "Na medida em que a ênfase hoje está no 'si-mesmo', na auto-realização, no próprio prazer e no prazer imediato, estamos fora do caminho e o resultado é o isolamento e o não conhecimento do outro".

CONHECIMENTO RECÍPROCO
O não conhecimento do outro é, também para a advogada Afife Lemes Kaial Cury, especialista em Direito Canônico, um dos principais fatores que leva à separação. Segundo ela - que trabalha há 27 anos no Tribunal Eclesiástico Regional e de Apelação de São Paulo e ao qual recorrem casais que desejam comprovar se o próprio casamento foi válido ou não para a Igreja - existe uma grande imaturidade no relacionamento entre o marido e a mulher que os impede de conhecerem-se mutuamente. "Eles não se conhecem" - declara - "porque a permissividade dos dias de hoje sufoca o diálogo. O namoro deveria ser o período oportuno para o conhecimento recíproco, para a troca de ideias em relação a um futuro juntos. Mas o relacionamento do casal se limita ao plano sexual".
Na maioria dos casos, segundo Afife, só depois do casamento os cônjuges descobrem as expectativas que cada um tinha em relação à vida a dois e à própria vida de família. "Depois de casados" - explicou a advogada - "a mulher ou o marido fica sabendo, por exemplo, que o cônjuge não quer saber de filhos, enquanto o seu maior sonho ao casar era tê-los. Isso é causa de muito sofrimento e até de depressão".
Para a especialista, a falta de conhecimento recíproco pode levar a uma vida dupla de um dos cônjuges. "São diversos os casos em que um dos dois leva uma vida dupla já antes do casamento sem o conhecimento do outro. Uma ambiguidade que geralmente¬ perdura depois do casamento e que se torna uma chaga insuportável para o relacionamento", explicou Afife.
Além do mais, segundo Afife, "muitas vezes, as pessoas casam apaixonadas e esquecem que o amor não é só a paixão, a atração física própria da juventude que faz com que um idealize o outro". Para a advogada, a paixão passa e o casal deveria estar treinado a viver o amor, "que contém a paixão, mas a transcende". "A paixão passa com o tempo, mas o amor permanece porque é um sentimento mais profundo que leva a desejar o bem do outro, antepondo-o aos próprios interesses", explicou.
Esse amor, segundo ela, garante a perseverança na vida matrimonial, porque alimenta um espírito de união que leva a relevar pequenos e grandes defeitos, superando dificuldades e atritos em nome de uma doação recíproca. "Essa perseverança desabrocha num amor novo, muito mais sólido, duradouro... uma experiência que passa a ser vivida numa dimensão superior", explica ela.

BUSCA DE AUTONOMIA
Outro fator que pode levar à separação do casal é, segundo Afife, a necessidade de segurança econômica e social de cada cônjuge individualmente, imposta pelo estilo de vida competitivo da sociedade atual. "Os homens vivem para atingir o máximo no âmbito profissional, sob a pressão do fantasma do desemprego. As mulheres, cada vez mais, buscam a própria realização conquistando espaços e ascendendo profissionalmente, apostando nessas coisas a própria realização em sacrifício de seu papel de esposas, mães e principais responsáveis pelo calor de um lar", explicou Afife.
Segundo ela, as diferenças psicofísicas entre o homem e a mulher e a diversidade de proveniência cultural e familiar também podem ser causa de conflito na vida do casal. Ela explica que todos nós carregamos uma bagagem de sentimentos, de experiências feitas, de visões de mundo ligadas à região onde nascemos, ao ambiente cultural onde crescemos, ao modo como fomos educados e tudo isso poderá condicionar o nosso comportamento. "Nesse caso, só o diálogo pode ajudar a superar as diferenças", ressaltou.
Pela sua experiência em acompanhamento de casais, Afife acredita que a palavra-chave para a solidez de um casamento é "preparação".

PREPARAÇÃO
Padre Germano van der Meer, religioso com uma vasta experiência no acompanhamento de casais, concorda que a preparação é uma importante garantia para a solidez de um relacionamento de casal. Segundo ele, são necessárias uma preparação remota e uma preparação próxima.
"A vida depende da capacidade de dialogar e isso é uma conquista. Nós nascemos autocentrados, o que é totalmente normal. Quando crianças, não dialogamos, mas exigimos atenção. Na adolescência floresce o período da amizade, em que aprendemos a conviver e a dialogar, a nos relacionarmos", explicou padre Germano. Portanto, segundo ele, "toda a vida deveria ser uma escola de diálogo para que, na fase adulta, a pessoa já possa ser madura para a vida a dois".
Quanto à preparação próxima, ele afirma: "No namoro, colocamos em prática essa capacidade de diálogo. Por isso, esse período pressupõe uma relação de abertura, de amizade e de confiança. Por meio do conhecimento recíproco os dois jovens compreendem que existe um plano de Deus para eles e podem, então, assumir o compromisso com o noivado". Para o sacerdote, se o casal consegue viver bem essas etapas de preparação, pode chegar ao momento de receber o sacramento do matrimônio, que os abre a um projeto de vida e de santificação juntos numa vida de constante doação recíproca.
E quando não houve a preparação adequada?Para Afife, "uma vez casados, nada impede que o conhecimento recíproco, que garante a solidez do relacionamento, possa acontecer a posteriori". Já para o psicólogo Paulo Rech, "cada cônjuge pode sempre recompor o relacionamento aprendendo a renunciar à própria ideia ou vontade em função da vida do casal". Essa capacidade de renúncia, segundo ele, deve manifestar-se na vida cotidiana, por exemplo, nas decisões sobre as despesas da casa ou sobre os programas de cada um ou do casal. "Aí voltamos à palavra-chave: diálogo", concluiu o psicólogo.
Todos os especialistas entrevistados foram unânimes em afirmar que a proximidade de casais maduros, de um sacerdote ou de um pastor, nos casos de pessoas de outras Igrejas ou de um psicólogo de confiança, pode ser uma ajuda indispensável para a superação de crises que parecem sem saídas. Segundo padre Germano isso se dá porque "quando a crise é partilhada com outras pessoas que podem nos ajudar, ela perde a dramaticidade e se relativiza".

SEXUALIDADE E MATURIDADE
Manoel Ângelo e Maria Marta Araújo, consultores familiares em Porto Alegre (RS), acrescentam um outro fator que pode influir na separação do casal: a insatisfação na vida sexual. Segundo eles, a maioria das pessoas não está habituada a falar das dificuldades nesse campo que ainda é um tabu a ser superado. Para eles, existe um conhecimento insuficiente sobre os conteúdos reais da sexualidade. "Em geral, a vida sexual é vista só como fonte de prazer, ao invés de ser um dom total de um para o outro, como reciprocidade e não como complementaridade", ressaltam.
Segundo os consultores familiares, a sexualidade se exprime em tudo o que o homem ou a mulher faz. Eles explicaram que é impossível pensar no casamento sem levar em conta as diferenças de gênero, seja por razões biológicas, culturais ou ainda por uma mescla dessas razões: homens e mulheres vivenciam de forma diferente a vida de casal.
Para Manoel e Maria Marta, é fundamental que cada cônjuge tenha sempre presente que modificar-se e aceitar aspectos do outro que não possam ser modificados são tarefas fundamentais para a manutenção de um casamento estável e satisfatório. E explicam: "Os casais têm a difícil tarefa de navegar entre o amor que os une e os conflitos de interesse, desejos, expectativas e sonhos de cada um".

NEGOCIAR DIVERGÊNCIAS
O casal de especialistas defende que a noção de felicidade está erroneamente vinculada à ideia de ausência de crise. "Se quisermos experimentar o estado de bem-estar conjugal" - afirmam eles - "é preciso negociar constantemente as divergências, resolvendo conflitos e, sobretudo, vendo as crises como oportunidades de revisar a relação e não como ameaças de ruptura".
Para os especialistas gaúchos, a expressão "crise no casamento" só é sinônimo de ameaça quando não estamos dispostos a vivê-la como uma oportunidade de aceitar as mudanças para as quais ela está sinalizando como sendo necessárias. "Ultrapassar essas dificuldades permite experimentar um amor belo, puro e forte, que não deve morrer jamais", explicam.
Manoel e Maria Marta chamam a atenção também para a importância do perdão na vida do casal. Segundo eles, já está comprovado cientificamente que o perdão é uma das maiores estruturas de reconciliação. Explicam: "Num momento de reconciliação, o perdão leva as pessoas a irem além dos sentimentos e do orgulho ferido: perdoar e ser perdoado pode tornar-se a chave para um recomeço cotidiano. Assim o amor conhece muitos momentos, vários sabores e expressões e a capacidade de amar se renova a cada momento"."
Por Fernanda Pompermayer
Revista Cidade Nova
 

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Deus ou investimento de renda fixa?


Achei muito bom esse post da Emmir Nogueira sobre uma realidade que existe em quase todos os lugares. Vale a pena ressaltar que no site da Comunidade Shalom tem ótimas formações! 

"Ultimamente, tenho ficado impressionada com uma certa atitude conhecida por alguns como “teoria” ou mesmo “teologia retributiva” no relacionamento com Deus, também entre os católicos. A cada pregação, nos mais diversos locais do Brasil – nos outros países não sinto tão forte este fenômeno – alguém apresenta, de uma forma ou de outra, a seguinte pergunta: “Mas porque aconteceu isso comigo se eu procuro fazer tudo o que Deus quer?” e, a seguir, descreve como vai à missa e reza o terço diariamente, como socorre os pobres, como vai regularmente às reuniões da paróquia, como se confessa uma vez por mês, etc...
Outros, que enfrentam, como a quase totalidade dos brasileiros, desafios financeiros, colocam as coisas mais claramente: “Mas, porque é que eu estou com dificuldades se eu sou fiel ao dízimo todos os meses? A Bíblia não promete que se eu for fiel ao tributo do templo Deus vai ser fiel a mim?” Há ainda aqueles que, servindo a Deus com alegria e fidelidade na paróquia, grupos, encontros, comunidades, espantam-se e sentem-se inseguros quando morre um parente, a filha solteira engravida, o filho entra na droga, o cônjuge adultera, os familiares abandonam a Igreja: “Mas eu cuidei das coisas de Deus confiando que ele cuidaria das minhas! Como é que isso pode ter acontecido?” Ao grupo de decepcionados com as “atitudes” de Deus, somam-se os que exclamam, ressentidos: “Mas eu entreguei toda a minha vida a Deus! Consagrei-me a Ele! Por que Ele não me liberta deste pecado? Por que ainda tenho este vício? Por que ainda convivo com esta fobia? Por que continuo deprimido? O que me falta ainda dar a Deus? Você acha que é minha pouca fé?”
Cada vez que ouço algo parecido me vem uma lembrança e uma perplexidade. A lembrança é a de Maria, aos pés da cruz de Jesus, sustentada pela caridade que a une ao Filho, pela fé de que Deus é sempre amor e pela esperança da ressurreição que Ele prometera. A perplexidade refere-se ao tipo de formação que talvez alguns tenham recebido. Terá ela sido verdadeiramente católica, ou traz resquícios da tal teologia retributiva que reduz nosso relacionamento com Deus ao “daí-e-dar-se-vos-á”, típico de algumas visões não católicas? Será que estamos ensinando que tudo o que damos a Deus e o que “fazemos por Ele” tem como base essencial a gratuidade do amor? Será que estamos ensinando que o amor é, por essência, gratuito e que, ao nos entregarmos a Deus, ao servi-lO, ao devolver o tributo, ao nos consagrarmos não temos nenhuma garantia de que as coisas vão ser como queremos ou pensamos que seriam? Será que deixamos claro que Deus, longe de ser um investimento de renda fixa, com retorno garantido, é Amor que corre todos os riscos por nós? Será que ensinamos que Deus não dá nenhuma garantia de retorno como nós pensamos que Ele deveria dar?
Ou, talvez, estejamos ensinando – e crendo! – que, se eu der dinheiro à paróquia Deus me dará o dobro; se eu servir à Igreja, Deus me servirá; se eu fizer tudo “certinho” Deus vai fazer com que tudo dê “certo” comigo e com os meus; se eu consagrar minha vida a Deus, tenho garantia de libertação e santidade, em uma negociação infindável de fazer inveja ao título mais promissor do mercado...
Ao olhar a vida dos santos, de Maria e do próprio Jesus, qualquer um ficaria facilmente desencantado com as idéias retributivas que empeçonham a mente de um católico, impedindo-o de ter a mente de Cristo. Tome-se, por exemplo, São Paulo: perseguições, apedrejamentos, naufrágios, falatórios, julgamentos, calúnias, prisões e morte. São Pedro não será muito diferente! Nem Jesus. Nem Maria. Nem Madre Teresa de Calcutá. Nem João Paulo II.
Alguém tem que voltar a ensinar que o amor a Deus, para ser amor, precisa ser absolutamente gratuito, sem nenhuma garantia de retorno. Pelo menos, não na nossa moeda, não na nossa medida. O “dai e dar-se-vos-á”, a “medida boa, cheia, recalcada, transbordante” são um outro câmbio, uma outra moeda, a moeda do céu, que é sempre amor."

por Maria Emmir Nogueira, Co-fundadora da Comunidade Shalom ,
Comunidade Católica Shalom



domingo, 21 de agosto de 2011

O sinal de que carregamos o Cristo é o serviço!

Breve comentário sobre o Evangelho de hoje, dia em que celebramos a Assunção de Nossa Senhora aos céus.

Evangelho (Lucas 1,39-56)

39 Naqueles dias, Maria se levantou e foi às pressas às montanhas, a uma cidade de Judá.
40 Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel.
41 Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.
42 E exclamou em alta voz: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.
43 Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor?
44 Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio.
45 Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas!”
46 E Maria disse: “Minha alma glorifica ao Senhor,
47 meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador,
48 porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações,
49 porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo.
50 Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem.
51 Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos soberbos.
52 Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes.
53 Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos.
54 Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia,
55 conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre.
56 Maria ficou com Isabel cerca de três meses. Depois voltou para casa”.

O grande sinal de que estamos em Cristo, de que o levamos conosco é o serviço. Maria é o grande exemplo a ser seguido de alguém que carregou o Cristo e soube viver a sua vida em função disso. Logo que ficou grávida ela foi às montanhas, se esforçou para chegar na casa de Isabel, não para ser servida por ser a mãe do Messias, mas para servir a sua prima que estava grávida de 6 meses! E Maria ficou lá até o nono mês,ou seja, por três meses (Lc ,56). A honra de carregar o Cristo, e isso serve para todos nós, não se encontra na lógica humana do comodismo e do ser servido, mas é justamente no servir! É o que Ele veio nos ensinar quando diz que o maior e aquele que serve (Mt 23,11).
Que possamos neste dia em que celebramos a Assunção de Maria, aprender com ela e pedir a sua ajuda para sermos fiéis à Cristo e a levá-Lo da maneira que Ele deseja, através do serviço, através do amor!

sábado, 20 de agosto de 2011

A visão espiritual faz do amor uma prioridade


Uma breve reflexão sobre a Liturgia de hoje.

Leitura (Rute 2,1-3.8-11; 4,13-17)

1 Noêmi tinha um parente, por parte de seu marido, homem poderoso e rico da família de Elimelec, chamado Booz.
2 Rute, a moabita, disse a Noêmi: "Peço-te que me deixes ir respigar nos campos de quem me quiser acolher favoravelmente". "Vai, minha filha", respondeu-lhe ela.
3 Rute partiu, pois, e entrou num campo, atrás dos segadores. Ora, aconteceu que aquele era justamente o campo de Booz, parente de Elimelec.
8 Booz disse a Rute: "Ouve, minha filha: não vás respigar em outro campo; não te afastes daqui, mas junta-te com minhas servas.
9 Olha em que campo vão ceifar, e segue-as. Proibi aos meus servos que te molestassem. Se tiveres sede, vai à bilha e bebe da água que eles tiverem buscado".
10 Rute, caindo aos seus pés, prostrou-se por terra: "De onde me vem a dita", disse ela, "de que te interesses por mim, uma estrangeira?"
11 "Contaram-me", replicou Booz, "tudo o que fizeste por tua sogra depois que morreu o teu marido, como deixaste teu pai, tua mãe e a tua pátria, e vieste para um povo que antes não conhecias".
4 13 Booz tomou, pois, Rute, que se tornou sua mulher. Aproximou-se dela, e o Senhor concedeu-lhe a graça de conceber e dar à luz um filho.
14 As mulheres diziam a Noêmi: "Bendito seja Deus, que não te recusou um libertador neste dia. Que o teu nome seja um dia célebre em Israel!
15 Ele te dará a vida e será o sustentáculo de tua velhice, porque tua nora, aquela que o gerou é que te ama e é para ti mais preciosa que sete filhos!"
16 Noêmi, tomando o menino, pô-lo no seu regaço, e fazia-lhe as vezes de ama.
17 Suas vizinhas deram-lhe nome, dizendo: "Nasceu um filho a Noêmi". E chamaram ao menino Obed. Este foi pai de Isaí e avô de Davi.

Salmo responsorial 127/128
Será assim abençoado todo aquele que respeita o Senhor.

Feliz és tu se temes o Senhor
e trilhas seus caminhos!
Do trabalho de tuas mãos hás de viver,
serás feliz, tudo irá bem!

A tua esposa é uma videira bem fecunda
no coração da tua casa;
os teus filhos são rebentos de oliveira
ao redor de tua mesa.

Será assim abençoado todo homem
que teme o Senhor.
O Senhor te abençoe de Sião
cada dia de tua vida.

Evangelho (Mateus 23,1-12)

23 1 Dirigindo-se, então, Jesus à multidão e aos seus discípulos,disse:
2 "Os escribas e os fariseus sentaram-se na cadeira de Moisés.
3 Observai e fazei tudo o que eles dizem, mas não façais como eles, pois dizem e não fazem.
4 Atam fardos pesados e esmagadores e com eles sobrecarregam os ombros dos homens, mas não querem movê-los sequer com o dedo.
5 Fazem todas as suas ações para serem vistos pelos homens, por isso trazem largas faixas e longas franjas nos seus mantos.
6 Gostam dos primeiros lugares nos banquetes e das primeiras cadeiras nas sinagogas.
7 Gostam de ser saudados nas praças públicas e de ser chamados rabi pelos homens.
8 Mas vós não vos façais chamar rabi, porque um só é o vosso preceptor, e vós sois todos irmãos.
9 E a ninguém chameis de pai sobre a terra, porque um só é vosso Pai, aquele que está nos céus.
10 Nem vos façais chamar de mestres, porque só tendes um Mestre, o Cristo.
11 O maior dentre vós será vosso servo.
12 Aquele que se exaltar será humilhado, e aquele que se humilhar será exaltado".

A leitura de hoje trata sobre a importância de ter uma visão espiritual que faça distinguir aquilo que tem “valor passageiro” daquilo que tem “valor de eternidade”.
Como foi visto na leitura de ontem, Noemi tinha dois filhos casados e moravam na planície de Moab. Estes faleceram e ela quis retornar para sua terra natal. Devido a sua fragilidade social, Rute sua nora fez questão de acompanhá-la, não abandonou. Escrevi fragilidade social porque naquele tempo, o homem sustentava a casa, e se uma mulher não tivesse mais filhos nem marido, e ainda por cima estivesse numa idade mais avançada, teria que contar com alguém que cuidasse dela. Agora imagine Noemi, que a muito tempo tinha se afastado de sua terra natal, era capaz que nem conhecesse mais ninguém, ou quase ninguém. De certa forma, Noemi estava condenada! Rute amou sua sogra a tal ponto que a acompanhou. Ao invés de ficar fazendo “piadinhas sobre sua sogra” como fazemos hoje (risos), Rute esteve ao seu lado velando por sua vida. 
Mas seu gesto não parou por ai, ela que também era uma jovem viúva, deixou toda a sua família e sua terra e se mudou com Noemi para a terra natal desta, se tornaria estrangeira (que não lhe dava direito algum, ao contrário, era a tendência era sofrer preconceito).
Deus vendo que a moabita seguia seus preceitos (o amor), se tornando uma expressão máxima de fragilidade social ao ser viúva estrangeira cuidando de outra viúva velha, a abençoou com um marido "poderoso e rico" (Rt 2,1) e um filho que seria depois, avô de Davi. De fato, se cumpriu o Salmo que diz que será abençoado os que respeitam o Senhor! E a palavra de Jesus que diz que aqueles que fizerem de servos, se rebaixarem, deixarem de lado os títulos, honrarias e seguranças humanas para servir o próximo (deixar o valor passageiro pelo que tem valor de eternidade) serão exaltados no momento oportuno! E Deus sempre cuidará deles!!! Quando temos esse olhar que vê além, o olhar espiritual que nos faz valorizar a eternidade, conseguimos fazer com que o amar e o servir se tornem, cada vez mais, atitudes naturais e preferência em nossas escolhas.
Que o Senhor nos faça enxergar além e perceber o que de fato tem valor passageiro e o que tem valor de eternidade! E que ao perceber que dentro das escolhas que tem peso de eternidade sempre se encontra o amor, possamos fazer do serviço um hábito, uma opção natural. Amém!

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Na matemática do Reino, dar é multiplicar!


Uma breve reflexão sobre a brevidade da vida e a sabedoria de fazer dela uma doação, baseada na Liturgia e no exemplo do mártir São Lourenço. 

Leitura (2 Coríntios 9,6-10)

Irmãos, 9 6 convém lembrar: "aquele que semeia pouco, pouco ceifará. Aquele que semeia em profusão, em profusão ceifará. 
7 Dê cada um conforme o impulso do seu coração, sem tristeza nem constrangimento. Deus ama o que dá com alegria". 
8 Poderoso é Deus para cumular-vos com toda a espécie de benefícios, para que tendo sempre e em todas as coisas o necessário, vos sobre ainda muito para toda espécie de boas obras. 
9 Como está escrito: Espalhou, deu aos pobres, a sua justiça subsiste para sempre. 
10 Aquele que dá a semente ao semeador e o pão para comer, vos dará rica sementeira e aumentará os frutos da vossa justiça.

Evangelho (João 12,24-26)

Naquele tempo, Jesus disse a seus discípulos: 12 24 "Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer, produz muito fruto. 
25 Quem ama a sua vida, perdê-la-á; mas quem odeia a sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna. 
26 Se alguém me quer servir, siga-me; e, onde eu estiver, estará ali também o meu servo. Se alguém me serve, meu Pai o honrará".

Hoje a Igreja celebra a festa de São Lourenço. Homem de fé e cheio de generosidade, deu tudo de si, inclusive sua vida por amor a Deus! A Liturgia de hoje vem de encontro à generosidade pedida por Deus a nós. Nossa vida é passageira, breve... Mesmo assim, nos apegamos a ela, talvez incoscientemente por medo de perdê-la. Não a possuímos de fato, não temos controle sobre sua extensão, mas preferimos nem pensar nisso, preferimos não nos conscientizarmos de que nossa vida é curta!
A generosidade é dar vida, tudo o que temos, é fazer parte da Providência de Deus! S. Paulo é claro na II Carta aos Coríntios quando fala que Deus nos dá além do necessário justamente para que possamos ser canais da Providência para os outros. Mas insistimos na mania de querer guardar para nós, não somente os bens materiais, mas a nós mesmos, nossas habilidades e qualidades... dons que Deus nos deu para que outras pessoas possam ser beneficiadas. O que temos não é somente para nós, mas é principalmente para os outros!
Jesus é claro no Evangelho quando diz que vai ganhar a vida quem resolver perdê-la aqui. Pense bem... Será que vale a pena trocar a eternidade por essa breve vida? Será que vale mais a pena se guardar e se perder, do que se doar e ganhar não somente a sua vida, mas muitas outras? 
O jogo de palavras usado por Jesus ao falar da vida e a morte, confronta a lógica secular e a lógica do Reino, a primeira é uma lógica egoísta do acumular e a segunda é do perder para ganhar, do doar para ter. A primeira, leva a uma soma que acaba em subtração, pois o que juntarmos e guardarmos, perderemos ao final da vida. A segunda, leva subtração que termina em multiplicação, pois o que damos, será multiplicado e produzirá frutos na vida das pessoas, e quando nossa vida acabar, ganharemos a vida eterna. Uma matemática complicada e que foge do raciocínio capitalista que costumamos ter.
Neste dia, o Senhor nos convida a seguir o exemplo de São Lourenço, dar a sua breve vida em favor de uma nobre causa, mas a resposta é pessoal. Cabe a cada um pesar na balança se vale ou não a pena dar a sua vida, ser instrumento da Providência de Deus, buscar a sincera e fecunda generosidade.  
Que o Senhor nos ajude a sermos corajosos e sábios em nossa resposta, e que esta seja expressada em nosso testemunho de vida. Amém!

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Ângelus de Bento XVI - 07/08/2011


Segue a explicação do Papa Bento sobre a Liturgia de domingo dia 07-08-2011 no Ângelus.

"Queridos irmãos e irmãs!

No Evangelho deste domingo, encontramos Jesus, que retirando-se no Monte, ora por toda a noite. O Senhor longe das pessoas e dos discípulos, manifesta a sua intimidade com o Pai e a necessidade de orar em solidão, fora das agitações do mundo. Este distanciar-se, entretanto, não deve ser entendido como um desinteresse em relação as pessoas ou um abandono em relação aos apóstolos. Ao contrário – diz São Mateus – Ele primeiro mandou os discípulos subirem na barca e passar antes dele para a outra margem (Mt, 14, 22) para depois encontrá-los de novo. Neste intervalo de tempo, a barca já se distanciava da terra e era agitada pelas ondas: o vento, de fato, era contrário (v.24) e eis que no final da noite, Jesus foi na direção deles caminhando sobre as águas.(v.25); os discípulos ficaram assustados, pois pensavam que Ele fosse um fantasma e tiveram medo (v.26); não o reconheceram, não entenderam que se tratava do Senhor. Mas Jesus os assegura: “Coragem, sou eu, não tenhais medo!” (v.27)

È um episodio do qual os Padres da Igreja colheram uma grande riqueza de significado. O mar simboliza a vida presente e a instabilidade do mundo visível; a tempestade indica as várias tribulações, as dificuldades, que oprimem o homem. Já a barca, representa a Igreja edificada sobre Cristo e guiada pelos apóstolos. Jesus quer educar os discípulos a suportar com coragem as adversidades da vida, confiando em Deus, naquele que se revelou a Elias no monde Oreb através do sussurro da brisa suave.(1 Re 19,12). O trecho continua depois com o gesto do apóstolo Pedro, o qual, envolvido por um impulso de amor diante do mestre, pede para ir ao encontro dEle, caminhando sobre as águas. “Mas vendo que o vento era forte, teve medo e começando a afundar, gritou: “Senhor, salva-me”(Mt 14,30).

Santo Agostinho, imaginando estar diante do apóstolo, comenta: “O Senhor se abaixou e te pegou pela mão. Somente com as tuas forças você não pode se levantar. Segure a mão daquele que desce até você”. Pedro caminha sobre as águas não pela própria força, mas pela graça divina, na qual crê, e quando se vê tomado pela dúvida, quando não fixa o olhar em Jesus, mas tem medo do vento, quando não confia plenamente na palavra do Mestre, quer dizer que está se distanciando dele e é aí que começa a afundar no mar da vida. O grande pensador Romano Guardini escreve que o Senhor “está sempre perto, estando na raiz do nosso ser. Todavia, devemos experimentar o nosso relacionamento com Deus entre os polos da distância e da proximidade. Na proximidade somos fortificados, na distancia somos colocados à prova”. (Livro: Aceitar nós mesmos, Brescia 1992).

Caros amigos, a experiência do profeta Elias que ouviu a passagem de Deus e por outro lado o transtorno de fé do apóstolo Pedro, nos fazem compreender que o Senhor antes que o procuremos ou o invocamos, é Ele mesmo que vem ao nosso encontro, abaixa o céu para segurar nossa mão e levar-nos a suas alturas, espera somente que confiemos totalmente nEle. Invocamos a Virgem Maria, modelo de confiança plena em Deus, porque em meio a tantas preocupações, problemas, dificuldades que agitam o mar da nossa vida, ressoe no nosso coração a palavra segura de Jesus: “Coragem, sou Eu, não tenhais medo!, e cresça a nossa fé nele."

Fonte: http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=283001

domingo, 7 de agosto de 2011

A graça não vem como que queremos, mas como precisamos!

Gostaria de fazer uma rbeve reflexão sobre a leitura da Liturgia do dia 02 de agosto. Tô bem atrasado hein...rsrs

Naqueles dias, 1 o Senhor disse a Moisés:
2 “Envia homens para explorar a terra de Canaã, que eu hei de dar aos filhos de Israel. Enviarás um homem de cada tribo patriarcal, tomados todos entre os príncipes.”
25 Tendo voltado os exploradores, passados quarenta dias,
26 foram ter com Moisés e Aarão e toda a assembléia dos israelitas em Cades, no deserto de Farã. Diante deles e de toda a multidão relataram a sua expedição e mostraram os frutos da terra.
27 Eis como narraram a Moisés a sua exploração: “Fomos à terra aonde nos enviaste. É verdadeiramente uma terra onde corre leite e mel, como se pode ver por esses frutos.
28 Mas os habitantes dessa terra são robustos, suas cidades grandes e bem muradas; vimos ali até mesmo filhos de Enac.
29 Os amalecitas habitam na terra do Negeb; os hiteus, os jebuseus e os amorreus habitam nas montanhas, e os cananeus habitam junto ao mar e ao longo do Jordão.”
30 Caleb fez calar o povo que começava a murmurar contra Moisés, e disse: “Vamos e apoderemo-nos da terra, porque podemos conquistá-la.”
31 Mas os outros, que tinham ido com ele, diziam: “Não somos capazes de atacar esse povo; é mais forte do que nós.”
32 E diante dos filhos de Israel depreciaram a terra que tinham explorado: “A terra, disseram eles, que exploramos, devora os seus habitantes: os homens que vimos ali são de uma grande estatura;
33 vimos até mesmo gigantes, filhos de Enac, da raça dos gigantes; parecíamos gafanhotos comparados com eles.”
14 1 Toda a assembléia pôs-se a gritar e chorou aquela noite.
26 O Senhor disse a Moisés e a Aarão:
27 “Até quando sofrerei eu essa assembléia revoltada que murmura contra mim? Ouvi as murmurações que os israelitas proferem contra mim.
28 Dir-lhes-ás: ´juro por mim mesmo´, diz o Senhor, ´tratar-vos-ei como vos ouvi dizer.
29 Vossos cadáveres cairão nesse deserto. Todos vós que fostes recenseados da idade de vinte anos para cima, e que murmurastes contra mim,
30 não entrareis na terra onde jurei estabelecer-vos, exceto Caleb, filho de Jefoné, e Josué, filho de Nun.
34 Explorastes a terra em quarenta dias; tantos anos quantos foram esses dias pagareis a pena de vossas iniqüidades, ou seja, durante quarenta anos, e vereis o que significa ser objeto de minha vingança.
35 Eu, o Senhor, o disse. Eis como hei de tratar essa assembléia rebelde que se revoltou contra mim. Eles serão consumidos e mortos nesse deserto!´” (Números 13,1-2.25-14,1.26-30.34-35)

É muito interessante como Deus, em Sua Providência, nos ajuda a crescer mesmo nos dando algo que queremos, mas não do jeito que queremos!
Logo que chegaram à Terra Prometida, o povo de Deus enviou alguns dos seus para inspecionar o local, ver se existiam perigos, verificar sua fertilidade. Ao voltarem, os enviados comprovaram que a terra era fértil,porém estava cheia de inimigos poderosos! Um deles, Caleb, quis invadir a terra onde os povos eram muito superiores em força e número, pois contava com o Senhor. Sabia que o invisível era maior do que o visível, de que o que não conseguia ver era mais forte do que estava vendo! Deus estava com Ele... confiava no Senhor e colocaria essa confiança à prova arriscando sua vida num combate contra os habitantes daquela terra!
Por outro lado, os que não confiaram no Senhor, se acovardaram e começaram a murmurar contra a boa terra, o presente que o Senhor lhes deu. Era uma batalha que eles teriam que enfrentar em Deus, e seriam vencedores porque aquela terra era promessa de Deus! No final, Deus não voltou atrás em sua promessa, mas não permitiu que os murmuradores entrassem na Terra Prometida, fazendo-os vagar por quarenta anos no deserto enquanto eram purificados. Não seria fácil entrar naquela terra, mas isso não era motivo para depreciar a graça de Deus! A graça consistia justamente em receber a Terra e estar preparados para defendê-la de invasores através da fé e da luta... do crescimento que viria a partir dessa luta!
Muitas vezes em nossa vida, nós acabamos pedindo a Deus e recebendo, mas não do jeito que pedimos, a graça pronta. Pode ser pela demora, pode ser por ela não chegar “pronta pra usar”... acabamos desvalorizando-a! Por exemplo, pedimos ao Senhor um carro e conseguimos os meios para comprá-lo, mas talvez a gente reclame porque queria ter ganhado ele gratuitamente! Talvez você tenha pedido um bom emprego, e recebeu um onde precisa resolver uma série de problemas... te garanto que se Ele te deu é porque vai ser um “bom emprego”,bom para o seu crescimento! Ou talvez ainda, você tenha pedido uma pessoa pra Deus e Ele te deu, não com o “cabelinho” do jeito que você pensava, quem sabe com umas limitações que você não tinha colocado no “meio do pedido”... mas veio e tá ai! Deus faz isso para que a gente cresça! O primeiro objetivo da graça não é satisfazer nossos desejos, ao contrário, é nos ajudar a crescer! A grande questão é que queremos tudo pronto, do nosso jeito, quanto menos trabalho melhor! Como o povo de Israel ao chegar a Terra Prometida. Daí, acabamos por desvalorizar o que Deus nos deu! Que tristeza! Além de nos mostrarmos ingratos com Deus ainda perdemos a oportunidade que Ele nos deu de crescer!
Precisamos ser como Caleb, ousados na graça de Deus! Lutar e superar limites com a certeza que Deus está do nosso lado pronto para nos ajudar, é vontade Dele que cresçamos!
Que o Senhor nos ajude a percebermos na vida o que Ele nos deu e darmos graças, acolhendo a graça que nos ajuda a crescer... pois ela não vem do jeito que queremos, mas do jeito que precisamos! Amém!

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Os olhos espirituais nos fazem ver além!

Olá galera, quero partilhar uma breve reflexão sobre a leitura da liturgia de hoje!

Naqueles dias, 1 toda a assembléia dos filhos de Israel chegou ao deserto de Sin no primeiro mês. O povo ficou em Cades; ali morreu Maria, que foi sepultada no mesmo lugar. 2 Como não houvesse água para a assembléia, o povo se ajuntou contra Moisés e Aarão,
3 procurou disputar com Moisés e gritou: “Oxalá tivéssemos perecido com nossos irmãos diante do Senhor!
4 Por que conduziste a assembléia do Senhor a este deserto, para nos deixares morrer aqui com os nossos rebanhos?
5 Por que nos fizeste sair do Egito e nos trouxeste a este péssimo lugar, em que não se pode semear, e onde não há figueira, nem vinha, nem romãzeira, e tampouco há água para beber?”
6 Moisés e Aarão deixaram a assembléia e dirigiram-se à entrada da tenda de reunião, onde se prostraram com a face por terra. Apareceu-lhes a glória do Senhor,
7 e o Senhor disse a Moisés:
8 “Toma a tua vara e convoca a assembléia, tu e teu irmão Aarão. Ordenareis ao rochedo, diante de todos, que dê as suas águas; farás brotar a água do rochedo e darás de beber à assembléia e aos seus rebanhos.”
9 Tomou Moisés a vara que estava diante do Senhor, como ele lhe tinha ordenado.
10 Em seguida, tendo Moisés e Aarão convocado a assembléia diante do rochedo, disse-lhes Moisés: “Ouvi, rebeldes: acaso faremos nós brotar água deste rochedo?”
11 Moisés levantou a mão e feriu o rochedo com a sua vara duas vezes; as águas jorraram em abundância, de sorte que beberam, o povo e os animais.
12 Em seguida, disse o Senhor a Moisés e Aarão: Porque faltastes à confiança em mim para fazer brilhar a minha santidade aos olhos dos israelitas, não introduzireis esta assembléia na terra que lhe destino.”
13 Estas são as águas de Meribá, onde os israelitas se queixaram do Senhor, e onde este fez resplandecer a sua santidade (Números 20,1-13).


Nossa lógica não é a lógica de Deus! Insistimos em usar apenas o limitado olhar humano e não permitimos que os olhos espirituais assumam a nossa visão. Quando usamos os olhos espirituais lembramo-nos do Senhor e nos permitimos confiar que Ele cuidará de nós, fazendo até mesmo brotar água da rocha se preciso for! Se Ele cuidou de nós até aqui, porque não o fará de agora em diante? Aquele povo foi cuidado por Deus em tudo... Ele não iria deixar de continuar cumprindo sua promessa, isso é fato! Mas falar é fácil... se nos colocarmos na situação deles, no deserto, cansados, com fome, com sede e enfrentando o calor do dia e o frio insuportável da noite, entenderemos seu drama. A grande questão não era o drama em si, mas com qual olhos eles viram a situação. E eles olharam com os olhos humanos apenas, olhos que enxergam apenas a realidade material e física que naquele momento apenas podia ver as dificuldades que enfrentaram, e não o Deus que os conduziu e que deles cuidou até ali. Somente com os olhos espirituais conseguimos olhar com profundidade e perceber que existe uma realidade maior do que essa que nossos sentidos podem captar! Somente assim poderemos enxergar ao lado de um grande problema, um Deus muito maior e que pode fazer do impossível, algo totalmente possível e realizável! Quem privilegia os olhos espirituais consegue se entregar com mais confiança aos cuidados de Deus!