segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Da homilia do beato João Paulo II, papa, no início do seu pontificado

Quero partilhar com vocês a homilia que o beato João Paulo II proferiu no início do seu pontificado  que será a segunda leitura do Ofício das Leituras da memória liturgica no dia 22 de Outubro. Esta homilia foi realizada neste mesmo dia em 1978.

Não tenhais medo! Abri as portas a Cristo!
"Pedro veio para Roma! E o que foi que o guiou e o conduziu para esta Urbe, o coração do Império Romano, senão a obediência à inspiração recebida do Senhor? Talvez aquele pescador da Galileia nuna tivesse tido vontade de vir até aqui. Talvez tivesse preferido permanecer, lá onde estava, nas margens do lago da Galileia, com a sua barca e com as suas redes. Mas, guiado pelo Senhor e obediente à sua inspiração, chegou até aqui!
Segundo uma antiga tradição, durante a perseguição de Nero, Pedro teria tido vontade de deixar Roma. Mas o Senhor interveio: veio ao seu encontro. Pedro, dirigindo-se ao Senhor perguntou: "Quo vadis, Domine?”  (Aonde vais, Senhor?). E o Senhor imediatamente lhe respondeu: "Vou para Roma, para ser crucificado pela segunda vez". Pedro voltou então para Roma e aí permaneceu até à sua crucifixão.
O nosso tempo convida-nos, impele-nos e obriga-nos a olhar para o Senhor e a imergir-nos numa humilde e devota meditação do mistério do supremo poder do mesmo Cristo.
Aquele que nasceu da Virgem Maria, o filho do carpinteiro – como se considerava –, o Filho de Deus vivo, como confessou Pedro, veio para fazer de todos nós “um reino de sacerdotes” .
O Concílio do Vaticano II recordou-nos o mistério deste poder e o facto de que a missão de Cristo – Sacerdote, Profeta, Mestre e Rei – continua na Igreja. Todos, todo o Povo de Deus participa desta tríplice missão. E talvez que no passado se pusesse sobre a cabeça do Papa o trirregno, aquela tríplice coroa, para exprimir, mediante tal símbolo,  que toda a ordem hierárquica da Igreja de Cristo, todo o seu "sagrado poder" que nela é exercido não é mais do que serviço; serviço que tem uma única finalidade: que todo o Povo de Deus participe desta tríplice missão de Cristo e que permaneça sempre sob a soberania do Senhor, a qual não tem as suas origens nos poderes deste mundo, mas sim no Pai celeste e no mistério da Cruz e da Ressurreição.
O poder absoluto e ao mesmo tempo doce e suave do Senhor corresponde a quanto é o mais profundo do homem, às suas mais elevadas aspirações da inteligência, da vontade e do coração. Esse poder não fala com a linguagem da força, mas exprime-se na caridade e na verdade.
O novo Sucessor de Pedro na Sé de Roma eleva, neste dia, uma prece ardente, humilde e confiante: “Ó Cristo! Fazei com que eu possa tornar-me e ser sempre servidor do teu único poder! Servidor do teu suave poder! Servidor do teu poder que não conhece ocaso! Fazei com que eu possa ser um servo! Mais ainda: servo de todos os teus servos.”
Irmãos e Irmãs! Não tenhais medo de acolher Cristo e de aceitar o Seu poder!
Ajudai o Papa e todos aqueles que querem servir Cristo e, com o poder de Cristo, servir o homem e a humanidade inteira!
Não tenhais medo! Abri antes, ou melhor, escancarai as portas a Cristo! Ao Seu poder salvador abri os confins dos Estados, os sistemas económicos assim como os políticos, os vastos campos de cultura, de civilização e de progresso! Não tenhais medo! Cristo sabe bem "o que está dentro do homem". Somente Ele o sabe!
Hoje em dia é frequente o homem não saber o que traz no interior de si mesmo, no mais íntimo da sua alma e do seu coração, Frequentemente não encontra o sentido da sua vida sobre a terra. Deixa-se invadir pela dúvida que se transforma em desespero. Permiti, pois – peço-vos e vo-lo imploro com humildade e com confiança – permiti a Cristo falar ao homem. Somente Ele tem palavras de vida; sim, de vida eterna."

Fonte: http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/ccdds/documents/rc_con_ccdds_doc_20110402_uff-letture_po.html

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Santa Edviges

Hoje a Igreja celebra Santa Edviges. Para muitos, a santa das causas impossíveis. Como considero  que essa definição é limita demais a memória dessa mulher de Deus que tanto se esforçou para seguir Jesus buscando a santidade, resolvi colocar um pouco da história dela. 
Que mais do que pedirmos a intercessão dela por nossas necessidades, possamos seguir seu exemplo de dedicação, coerência ao que cremos e amor para com o próximo! Que Deus ajude para que amar nunca seja uma causa impossível para nós, mesmo nas adversidades!

"[...] e quanto mais alta for a posição social, tanto mais obrigação se tem de edificar o próximo com o bom exemplo." São palavras de uma duquesa cuja única riqueza, maior que suas posses, era o espírito religioso e solidário, Edwiges, soberana da Silésia e da Polônia. Virtude foi o que ela mais exibiu e vivenciou em todas as fases da sua existência, primeiro como donzela, depois como esposa e, finalmente, como viúva. Nobre, Edwiges nasceu em 1174, na Bavária, Alemanha. Ainda criança, já mostrava mais apego às coisas espirituais do que às materiais, apesar de dispor de tudo o que quisesse comprar ou possuir. Em vez de divertir-se em festas da Corte, preferia manter-se recolhida para rezar. Aos doze anos, como era convencionado nas casas reais, foi dada em casamento a Henrique I, duque da Silésia e da Polônia. Ela obedeceu aos pais e teve com o marido sete filhos.
Quando completou vinte anos, e ele trinta e quatro, sentiu o chamado definitivo ao seguimento de Jesus. Edwiges entregou-se, então, à piedade e caridade. Guardava uma pequena parte de seus ganhos para si e o resto empregava em auxílio ao próximo. Quando descobriu que muitas pessoas eram presas porque não tinham como saldar suas dívidas, passou a ir pessoalmente aos presídios para libertar tais encarcerados, pagando-lhes as dívidas com seu próprio dinheiro. Depois, ela também lhes conseguia um emprego, de modo que pudessem manter-se com dignidade.
Construiu o Mosteiro de Trebnitz, na Polônia, ajudou a restaurar os outros e mandou erguer inúmeras igrejas. Desse modo, organizou uma grande rede de obras de caridade e assistência aos pobres. Além disso, visitava os hospitais constantemente, para, pessoalmente, cuidar e limpar as feridas dos mais contaminados e leprosos. Mas Edwiges tinha um especial carinho pelas viúvas e órfãos. Veio, então, um período de sucessivas desventuras familiares. Num curto espaço de tempo, assistiu à morte, um a um, dos seus seis filhos, ficando viva apenas a filha Gertrudes. Em seguida, foi a vez do marido. Henrique I fora preso pelos inimigos num combate de guerra e, mesmo depois de libertado, acabou morrendo, vitimado por uma doença contraída na prisão.
Agora viúva, e apesar da dura provação, Edwiges continuou a viver na virtude. Retirou-se do mundo, ingressou no convento que ela própria construíra, do qual a filha Gertrudes se tornara abadessa. Fez os votos de castidade e pobreza, a ponto de andar descalça sobre a neve quando atendia suas obras de caridade. Foi nessa época que recebeu o dom da cura, e operou muitos milagres, em cegos e outros enfermos, com o toque da mão e o sinal da cruz. Com fama de santidade, Edwiges morreu no dia 15 de outubro de 1243, no Mosteiro de Trebnitz, Polônia. Logo passou a ser cultuada como santa e o local de sua sepultura tornou-se centro de peregrinação para os fiéis cristãos. Em 1266, o papa Clemente IV canonizou-a oficialmente. A Igreja designou o dia 16 de outubro para a celebração da sua festa litúrgica."

Retirei essa parte do texto da história dessa mulher no site: 
http://www.domtotal.com.br/religiao/eucaristia/liturgia_diaria.php

O amor dá sentido ao culto e a vida


 A partir da Liturgia de hoje, dia 16 de Outubro de 2012, gostaria de tecer um breve comentário:
- Leitura (Gálatas 5,1-6)
- Salmo responsorial 118/119
- Evangelho (Lucas 11,37-41)

Comentário:
O vazio da ritualidade e da religiosidade está justamente na falta de sentido desta, quando não se transforma em caridade e não é motivada pelo amor. Quando nos lançamos em Deus, Ele nos lança ao próximo. Se aproximar de Deus é se aproximar do irmão com amor como nos testemunhou o próprio Jesus! Por isto mesmo, a civilização do amor começa a ser criada quando existe o amor como força motivadora e sentido para tudo o que fazemos. É o amor, a caridade que nos purifica de todos os males, por isto mesmo está ecrito em I Pd 4,8 “a caridade cobre uma multidão de pecados”. Afinal, é justamente o fruto do relacionamento correto e sincero com Deus, o amor e o amor praticado, que apagará nossos pecados. Se não pocuramos amar é porque algo está errado em nossa intimidade com o Senhor!
Que neste dia em que se celebra na Liturgia a Santa Edviges, possamos aprender com ela a viver uma vida cheia de sentido, motivada pela caridade e pelo amor. Que a lembrança desta sata não fique apenas nas causas impossíveis, mas principalmente no exemplo do seguimento de Jesus pelo amor.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Liturgia da solenidade de Nossa Senhora de Aparecida

Leitura (Ester 5,1-2;7,2-3)

5 1 Três dias depois Ester se revestiu de seus trajes reais e se apresentou na câmara interior do palácio, diante do aposento real, onde estava o rei sentado sobre seu trono, diante da porta de entrada do edifício.
2 Logo que o rei viu a rainha Ester no átrio, esta conquistou suas boas graças, de sorte que ele estendeu o cetro de ouro que tinha na mão. E Ester se aproximou para tocá-lo.
7 2 No segundo dia, bebendo vinho, disse ainda o rei a Ester: "Qual é teu pedido, rainha Ester? Será atendido. Que é que desejas? Fosse mesmo a metade de meu reino, tu obterias".
3 A rainha respondeu: "Se achei graça a teus olhos, ó rei, e se ao rei lhe parecer bem, concede-me a vida, eis o meu pedido; salva meu povo, eis o meu desejo".

Salmo responsorial 44/45
Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto:
que o rei se encante com vossa beleza!

Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto:
“Esquecei vosso povo e casa paterna!
Que o rei se encante com vossa beleza!
Prestai-lhe homenagem: é vosso senhor!

O povo de Tiro vos traz seus presentes,
os grandes do povo vos pedem favores.
Majestosa, a princesa real vem chegando,
vestida de ricos brocados de ouro.

Em vestes vistosas ao rei se dirige,
e as virgens amigas lhe formam cortejo;
entre cantos de festa e com grande alegria,
ingressam, então, no palácio real”

Leitura (Apocalipse 12,1.5.13.15-16)

12 1 Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas.
5 Ela deu à luz um Filho, um menino, aquele que deve reger todas as nações pagãs com cetro de ferro. Mas seu Filho foi arrebatado para junto de Deus e do seu trono.
13 O Dragão, vendo que fora precipitado na terra, perseguiu a Mulher que dera à luz o Menino.
15 A Serpente vomitou contra a Mulher um rio de água, para fazê-la submergir.
16 A terra, porém, acudiu à Mulher, abrindo a boca para engolir o rio que o Dragão vomitara.

Evangelho (João 2,1-11)

Naquele tempo, 2 1 três dias depois, celebravam-se bodas em Caná da Galiléia, e achava-se ali a mãe de Jesus.
2 Também foram convidados Jesus e os seus discípulos.
3 Como viesse a faltar vinho, a mãe de Jesus disse-lhe: "Eles já não têm vinho".
4 Respondeu-lhe Jesus: "Mulher, isso compete a nós? Minha hora ainda não chegou".
5 Disse, então, sua mãe aos serventes: "Fazei o que ele vos disser".
6 Ora, achavam-se ali seis talhas de pedra para as purificações dos judeus, que continham cada qual duas ou três medidas.
7 Jesus ordena-lhes: "Enchei as talhas de água". Eles encheram-nas até em cima.
8 "Tirai agora" , disse-lhes Jesus, "e levai ao chefe dos serventes". E levaram.
9 Logo que o chefe dos serventes provou da água tornada vinho, não sabendo de onde era (se bem que o soubessem os serventes, pois tinham tirado a água), chamou o noivo
10 e disse-lhe: "É costume servir primeiro o vinho bom e, depois, quando os convidados já estão quase embriagados, servir o menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora".
11 Este foi o primeiro milagre de Jesus; realizou-o em Caná da Galiléia. Manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele.
 
Meu breve comentário:
A característica de Nossa Senhora como intercessora é marcante na Liturgia de hoje. A intercessão da rainha Ester que encanta o rei com sua beleza, e no que diz respeito ao Senhor, uma bela alma adornada pelo amor, pela obediência e pela fé. Percebe-se que o próprio Jesus não escapa de escutar e atender o pedido de sua amada mãe. Assim, o Rei Jesus a escuta e atende seus apelos e pedidos. Se Jesus a escuta, é o Espírito Santo que a inspira a fazer da maneira de Deus! Deus poderia fazer sem a intercessão dela? Sim, é óbvio! Mas Ele a quis intercedendo, Ele a escolheu, é desígnio Dele! E mais, Ele nos deu essa poderosa intercessora por mãe, e neste dia, celebramos o presente de Deus ao Brasil: essa intercessora e mãe é também a padroeira do Brasil sob o título de Nossa Senhora de Aparecida.
Que ela rogue a Jesus por cada um de nós e pelo Brasil, pelas questões sociais, políticas e econômicas. Que nosso país seja governado de forma que todos sejam levados em conta, em sua dignidade de fillhos de Deus e cidadãos, através de uma justa distribuição de renda, da otimização das obrigações do Estado como a saúde, educação e segurança e do cuidado para com a família e a difusão dos valores que valorizem a vida!

domingo, 29 de abril de 2012

Domingo do Bom Pastor

Evangelho (João 10,11-18)

10 11 Disse Jesus: "Eu sou o bom pastor. O bom pastor expõe a sua vida pelas ovelhas.
12 O mercenário, porém, que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, quando vê que o lobo vem vindo, abandona as ovelhas e foge; o lobo rouba e dispersa as ovelhas.
13 O mercenário, porém, foge, porque é mercenário e não se importa com as ovelhas.
14 Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem a mim,
15 como meu Pai me conhece e eu conheço o Pai. Dou a minha vida pelas minhas ovelhas.
16 Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco. Preciso conduzi-las também, e ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor.
17 O Pai me ama, porque dou a minha vida para a retomar.
18 Ninguém a tira de mim, mas eu a dou de mim mesmo e tenho o poder de a dar, como tenho o poder de a reassumir. Tal é a ordem que recebi de meu Pai".


Hoje a Liturgia nos fala sobre o Bom Pastor que dá a vida por sua ovelhas. Muitas vezes temos dificuldade de nos abandonarmos em Deus, de confiar a nossa vida nas mãos do Bom Pastor. Temos medo que Ele peça o que não queremos dar, que peça além daquilo que estamos preparados para fazer, que "interfira em nossa liberdade"... Ele nunca interferiria num dom que Ele nos deu e que demonstra todo o amor e o respeito que Ele tem por nós!
Ao contrário, por nos amar com um amor incondicional e incompreensível para nós, seres limitados, Ele não desiste de nos apresentar Seus planos de amor, aquilo que Ele percebe ser o melhor para nós. Jamais imporá, apenas proporá pensando em nosso bem. Mas, mesmo assim desconfiamos de Seus planos... acreditamos que nossas escolhas serão mais acertadas que as Dele! A grande prova de que Ele tem o melhor para nós, de que Ele quer o melhor para nós, foi ter dado Sua própria vida por amor! Quem poderia nos dar uma prova maior do que esta? Veja, Ele deixou sua condição de apenas ser Deus para se fazer homem (se aniquilou) e, mesmo homem, assumiu todos os nossos pecados através e dores e sofrimentos que nem podemos chegar perto em nossa imaginação... Se esta prova de amor, de que Ele apenas quer o melhor para nós não é o suficente, então o que será? As pessoas que muitas vezes admiramos, ou talvez até idolatramos no mundo secular, que nem ligam para nós, que provas elas nos dão? Os ensinamentos que aprendemos em novelas, filmes, livros, e tantas outras coisas que nos falam sobre sermos livres e independentes, auto-suficientes para escolhermos o que queremos, vão de fato nos fazer ser felizes? As pessoas que pregam essas "verdades" deram a vida por amor a nós? Não... e nunca darão! É tempo de abrirmos os nossos olhos e enxergarmos onde está o verdadeiro Amor, quem nos ama de verdade e nos propõe a partir do amor! Deixe-se cuidar pelo Bom Pastor, apenas deixe-se cuidar! 
Que Deus nos cure da cegueira espiritual e intelectual e nos dê a graça de nos abandonarmos confiantes em suas mãos que cuidam e protegem! Amém!

domingo, 1 de abril de 2012

Palavra de vida de Abril de 2012

Partilho com vocês a Palavra que será meditada por todos os membros do Focolares durante do mês de abril de 2012. Esta reflexão foi feita pela fundadora Chiara Lubich, em maio de 1982.  

““Vós já estais puros por causa da palavra que vos anunciei.” (Jo 15,3)

Certamente o coração dos discípulos, ouvindo esta tão decidida palavra de encorajamento de Jesus, deve ter tido um sobressalto de alegria. Como seria maravilhoso se Jesus pudesse dirigi-la também a nós! Para sermos mais dignos disso, vamos tentar compreendê-la. Jesus acabou de fazer a conhecida comparação da videira e dos ramos. Ele é a verdadeira videira, o Pai o agricultor, que corta os ramos infrutíferos e poda todo ramo que dá fruto, a fim de que frutifique ainda mais.
Após essa explicação, ele afirma:

“Vós já estais puros por causa da palavra que vos anunciei.”

“Já estais puros...”. Mas de que pureza Jesus está falando? Trata-se daquela atitude de espírito necessária para estar diante de Deus, da ausência daqueles obstáculos (como o pecado, por exemplo) que se opõem ao contato com o sagrado, ao encontro com o divino. Para termos essa pureza é necessária uma ajuda do Alto.
Já no Antigo Testamento o homem havia tomado consciência da sua incapacidade de aproximar-se de Deus contando unicamente com as próprias forças. Era preciso que Deus purificasse o seu coração, lhe desse um coração novo.
Há um belíssimo Salmo que diz:
“... criai em mim, ó Deus, um coração puro” (Sl 51,12).

“Vós já estais puros por causa da palavra que vos anunciei.”

Pelo que diz Jesus, existe um meio para sermos puros: é a sua Palavra. Aquela Palavra que os discípulos ouviram e acolheram foi que os purificou. Com efeito, a Palavra de Jesus não é como as palavras humanas. Nela está presente o Cristo assim como ele está presente, de outra maneira, na Eucaristia. Através dela Cristo entra em nós. Aceitando-a, praticando-a, fazemos com que Cristo nasça e cresça em nosso coração.
Paulo VI dizia: “De que modo Jesus se torna presente nas almas? Através da comunicação da Palavra passa o pensamento divino, passa o Verbo, o Filho de Deus feito homem. Poderíamos afirmar que o Senhor se encarna em nosso íntimo quando nós aceitamos que a Palavra venha viver dentro de nós”1.

“Vós já estais puros por causa da palavra que vos anunciei.”

A Palavra de Jesus é comparada também a uma semente lançada no íntimo de quem crê. Uma vez acolhida, ela penetra no homem e, como uma semente, desenvolve-se, cresce, dá frutos, “cristifica”, tornando-nos semelhantes a Cristo. Interiorizada assim pelo Espírito Santo, ela tem realmente a capacidade e a força de conservar o cristão longe do mal: enquanto ele deixar agir em si a Palavra, ficará livre do pecado e, portanto, puro. Só cairá no pecado se deixar de obedecer à verdade.

“Vós já estais puros por causa da palavra que vos anunciei”.

Como devemos viver, então, para também merecermos o elogio de Jesus?
Colocando em prática cada Palavra de Deus, nutrindo-nos dela momento por momento, fazendo da nossa existência uma obra de contínua reevangelização. Isto para chegarmos a ter os mesmos pensamentos e sentimentos de Jesus, para revivê-lo no mundo, para mostrar a uma sociedade – muitas vezes emaranhada no mal e no pecado – a divina pureza, a transparência que o Evangelho proporciona.
Durante este mês, além disso, quando for possível (ou seja, se também outras pessoas compartilharem nossas intenções), procuremos colocar em prática de maneira especial aquela Palavra que exprime o mandamento do amor recíproco: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. Para o evangelista João, que nos traz a frase de Jesus que hoje estamos considerando, existe realmente uma ligação entre a Palavra de Cristo e o mandamento novo. Diz ele que é no amor recíproco que se vive a Palavra com seus efeitos de purificação, de  santidade, de impecabilidade, de fruto, de proximidade com Deus. O indivíduo isolado é incapaz de resistir por muito tempo às solicitações do mundo, enquanto que ele encontra no amor mútuo o ambiente sadio capaz de proteger a sua existência cristã autêntica.”

Chiara Lubich

1. Insegnamenti di Paolo VI, V, Cidade do Vaticano 1967, p. 936

Complicamos o simples com nosso “excesso de querer”


Gostaria de fazer uma pequena reflexão sobre a nossa teimosia em querer do nosso jeito.
Na semana que passou,  vivi uma experiência interessante. Sou professor de História da rede estadual de ensino. Na sexta-feira uma de minhas alunas da sétima série, portanto com idade de 12 ou 13 anos (não sei a idade dela... rs), chegou em mim no final da aula e me perguntou porque eu estava chato naquele dia. Ao respondê-la, perguntei  a ela com muito carinho se era eu quem estava chato por não deixar ela fazer nada do que pedia, ou se era ela que pedia pra fazer tudo o que não podia...  Falei com ela que ela estava querendo tudo do jeito dela. Então ela parou... pensou... e me surpreendeu dizendo que eu estava certo (e não é a primeira vez que ela me surpreende com suas reflexões). Achei legal a atitude dela, pois a maioria das pessoas de sua idade nem parariam pra pensar, apenas diriam que era eu o chato na situação.
Muitas vezes em nossa vida, vivemos a mesma situação com Deus! Queremos e pedimos muitas coisas... nem sempre elas nos farão bem ou estão de acordo com os planos Dele (que sabe como nos fazer felizes melhor do que a nós mesmos!). Então, quando não as recebemos, reclamamos, esperneamos e brigamos com Ele... algumas vezes até chegamos a pensar que Ele está chato conosco... (rs). A grande realidade é que nos colocamos no luar desta minha aluna, mas ao invés de ouvirmos o Senhor como ela ouviu o professor, e refletir sobre o que Ele nos fala, simplesmente nos revoltamos, ignoramos e reclamamos. Tudo isso porque queremos do nosso jeito, queremos de qualquer forma o que desejamos e, em muitos casos, aquilo não nos fará bem a médio e longo prazo...
É preciso que aprendamos a escutar o Senhor, perceber melhor o que Ele tem pra nós e, sobretudo, confiar que Ele tem o melhor. Ele, mais do que ninguém, quer a nossa felicidade, pois nos fez para sermos felizes! Esse sempre foi o Seu objetivo. A grande dificuldade que temos é entender que a nossa visão de felicidade é limitada, a Dele não... Ficamos com medo de nos confiarmos à Sua visão de felicidade, e não conseguimos confiar no jeito Dele de fazer as coisas!
Que Deus nos ajude a sermos mais dóceis a Sua Vontade, entendermos melhor a Sua inspiração e o Seu querer, como a minha aluna o fez naquele dia! Que possamos confiar mais e que Ele nos ajude a parar de complicar o simples com o nosso “excesso de querer”.  Amém!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Quaresma

Tempo de olhar para dentro de si, de refletir sobre o sentido de nossas vidas, sobre o como e o porque de tudo o que estamos fazendo... Tempo de dar um sentido novo e diferente! Tempo de encontrar a alegria nos detalhes e afelicidade na profundidade de todas as coisas... pois quando não temos medo e buscamos com sinceridade, é ali que nos encontraremos com Deus!

Quaresma: tempo de fazer de Jesus o centro!

E pra começar uma pequena reflexão sobre a Liturgia de hoje e sobre o início deste tempo tão importante que entraremos que é a Quaresma: 

A fonte de nossas ações, principalmente no relacionamento com Deus precisa ser o nosso coração, a sinceridade dele! É a partir do nosso interior, onde guardamos nossas maiores riquezas é que devemos buscar o Senhor! É o que está dentro de nós que dá sentido ao que exteriorizamos. Mais ainda, precisamos aprender a valorizar o que está dentro, o que as pessoas não vêm e não opinam, pois o valor não vem a partir da opinião alheia, externa, mas sim pela beleza da motivação, pelo sentido mais profundo do que existe dentro de nós! É com o sentido correto que nossa piedade, nosso relacionamento com Deus, conosco mesmo e com os irmãos tem valor real! Assim, essa quaresma precisa ser um tempo de considerar os sentidos que damos a tudo o que vivemos e questionarmos se ali está o sentido maior: a presença central de Jesus! Isto e conversão, isto é mudança de vida! Ter Jesus como centro!

Pedido de desculpas...

Olá pessoal, quero pedir desculpas por minha ausência. Embora estivesse me dedicando a alguns projetos, não posso justificar minha falta com este e com vocês! Peço perdão a todos e farei o esforço de aos poucos retomar meus trabalhos neste blog.