sexta-feira, 29 de julho de 2011

Permitir que Deus nos conduza através de Sua Providência!

Gostaria de fazer mais uma reflexão sobre a Providência a partir da leitura da Liturgia de ontem. Já perceberam que gosto de refletir sobre a Providência, né? Pois é... através dela tocamos no amor e no cuidado de Deus por nós!

"Naqueles dias, 16 Moisés fez tudo o que o Senhor lhe havia mandado, e se conformou a tudo.
17 Assim, no segundo ano, no primeiro dia do primeiro mês, o tabernáculo foi erigido.
18 Moisés levantou o tabernáculo: pôs suas bases, suas tábuas, suas travessas, e assentou suas colunas.
19 Estendeu a tenda sobre o tabernáculo, e pôs a coberta da tenda por cima, como o Senhor lhe tinha ordenado.
20 Tomou o testemunho e colocou-o na arca; meteu os varais na arca, e colocou nela a tampa.
21 Introduziu a arca no tabernáculo; e, tendo pendurado o véu de separação, cobriu com ele a arca da aliança, como o Senhor tinha ordenado a Moisés.
34 Então a nuvem cobriu a tenda de reunião e a glória do Senhor encheu o tabernáculo.
35 E era impossível a Moisés entrar na tenda de reunião, porque a nuvem pairava sobre ela, e a glória do Senhor enchia o tabernáculo.
36 Durante todo o curso de suas peregrinações, os israelitas se punham a caminho quando se elevava a nuvem que estava sobre o tabernáculo;
37 do contrário, eles não partiam até o dia em que ela se elevasse.
38 E, enquanto duraram as suas peregrinações, a nuvem do Senhor pairou sobre o tabernáculo durante o dia; e, durante a noite, havia um fogo na nuvem, que era visível a todos os israelitas." (Ex 40,16-21.34-38)

O povo de Israel caminhava no deserto conduzido pelo Senhor. Muito interessante perceber o cuidado da Providência, que os guiava. Quando a nuvem subia por sobre o tabernáculo, eles entendiam que o Senhor lhes dizia que era hora de caminhar, que Ele iria à frente conduzindo-os. Não andavam enquanto Ele não fosse à frente. Assim, estariam seguros quanto aonde ir e em que momento ir.
A mensagem é muito simples: se queremos ir para a direção certa e na hora certa, devemos seguir o Senhor e não fazer, nós mesmos, o caminho! Muitas vezes queremos escolher a direção que "achamos" ser a melhor, e nem sempre ela o será. Outras tantas vezes, não respeitamos os tempos... há um tempo para caminhar e outro para esperar... enquanto isso acontece, a Providência continua se movimentando, preparando as coisas para quando passarmos por determinados lugares, para quando entrarmos em contato com determinadas pessoas... de forma a nos surpreender com seu cuidado. O andar ou o esperar também devem nos levar a nos prepararmos para as situações com as quais nos depararemos! Mesmo que nada "pareça" estar acontecendo de novo em nossa vida, que nada muda, a Providência está agindo e preparando tudo. Precisamos fazer de cada momento a nossa preparação para que encontremos aquilo que foi preparado por Deus! E mais, sem se preocupar com os tempos, pois estes a Deus, nosso Guia, pertencem!
Para mim, o exemplo de João Paulo II cabe muito bem aqui. Karol Wojtyla era seu nome e nasceu em 1920. Dentre as dificuldades que enfrentou, perdeu sua mãe aos 9 anos, seu querido irmão aos 12 anos e seu pai aos 21 anos. A partir de então não tinha mais nenhum familiar para lhe acompanhar. Além disso, na maior parte de sua vida, teve que viver em um país tomado por governos totalitários e ditadores, onde qualquer coisa era motivo para ser enviado a um campo de trabalhos forçados ou à morte. Fez o seminário escondido e estudava nas horas vagas em que trabalhava numa pedreira. Quer dizer, ele viveu uma vida dura! Quando perdeu seu pai, escreveu um poema em que segue o seguinte trecho:

"Sei que sou pequeno / Mas há outros menores que eu / Ele me escolheu, Ele me lança nas cinzas / Ele pode fazer isso - mas por quê?/ Por que fazer isso comigo? / Ele é o provedor" Fonte: http://www.comshalom.org/formacao/exibir.php?form_id=3403

Mesmo sem entender o motivo de todos esses acontecimentos, Ele não desistiu, continuou dando o melhor de si em tudo o que fazia. Deus tinha permitido que passasse por toda essa dureza porque assim ele seria preparado para ter uma personalidade forte, capacidade essencial para ser um grande Papa e fazer o bem a milhares de pessoas. Além de ajudá-lo a conhecer com profundidade o ser humano, suas misérias e dificuldades, e também conhecer a Deus com profundidade, o mesmo Deus que ele buscou tantos momentos, o Deus em que Ele se apoiou. Ao viver bem cada coisa que fez, cada dia que passou, ele aceitou inconscientemente o consciente plano que o Senhor tinha para ele e para a humanidade. Se tivesse desistido de Deus, ou não vivesse bem... com certeza não teria sido o Papa que foi, não teria feito o bem que fez!
Precisamos entender que, independente de não saber os motivos de estarmos passando por essas dificuldades hoje, é preciso vivê-las bem... pois com certeza isso fará a diferença no que viveremos no futuro! Abrace, mesmo sem entender, os planos que Deus tem para você vivendo em Deus, da melhor forma, dando o melhor de si, o dia de hoje! Viver bem o que Deus nos coloca hoje é acolher a preparação de Deus para aquilo que viveremos, é seguir a pista de Deus!
Que possamos aprender a seguir o Senhor e não escolher um caminho qualquer, pois Ele sempre nos levará a felicidade certa! Que sejamos fiéis no pouco, pois assim nos será confiado mais, por intercessão do beato João Paulo II, o Grande! Vem Senhor Jesus!

domingo, 24 de julho de 2011

Angelus de Bento XVI - 24/07/2011

Como o Papa Bento XVI mandou bem (como sempre!) nesta explicação sobre a liturgia deste domingo, vou colocar sua explicação aqui. Antes, vou dar a indicação das passagens da liturgia de hoje. Não as colocarei na íntegra para não tornar o post muito grande.

Liturgia:
Primeira Leitura: 1Rs 3,5.7-12
Segunda Leitura: Rm 8,28-30
Salmo: Sl 118
Evangelho: Mt 13,44-52


"Queridos irmãos e irmãs!

Hoje, na Liturgia, a Leitura do Antigo Testamento apresenta-nos a figura do Rei Salomão, filho e sucessor de Davi. Ela apresenta-o no início de seu reinado, quando era ainda muito jovem. Salomão herdou uma tarefa muito desafiadora, e a responsabilidade que carregava sobre seus ombros era grande para um jovem soberano. Em primeiro lugar, ele oferece a Deus um solene sacrifício – "mille olocausti", diz a Bíblia. Então, o Senhor aparece-lhe em visão noturna e promete conceder-lhe aquilo que ele pedisse em oração. E aqui se vê a grandeza de alma de Salomão: ele não pede uma longa vida, nem riquezas, nem a eliminação dos inimigos; ao contrário, diz ao Senhor: "Dai, pois, ao vosso servo um coração dócil, capaz de julgar o vosso povo e discernir entre o bem e o mal" (1 Re 3,9). E o Senhor responde à sua oração, de tal forma que Salomão se torna célebre em todo o mundo pela sua sabedoria e os seus retos julgamentos.

Ele, portanto, rezou para que Deus lhe concedesse "um coração dócil". O que significa essa expressão? Sabemos que o "coração", na Bíblia, não indica somente uma parte do corpo, mas o centro da pessoa, a sede das suas intenções e dos seus juízos. Poderíamos dizer: a consciência. "Coração dócil", portanto, significa uma consciência que sabe escutar, que é sensível à voz da verdade, e, por isso, é capaz de discernir o bem do mal. No caso de Salomão, o pedido é motivado pela responsabilidade de guiar uma nação, Israel, o povo que Deus escolheu para manifestar ao mundo o seu projeto de salvação. O rei de Israel, portanto, deve buscar estar sempre em sintonia com Deus, em atitude de escuta à Sua Palavra, para guiar o povo nos caminhos do Senhor, o caminho da justiça e da paz.

Mas o exemplo de Salomão vale para cada homem. Cada um de nós tem uma consciência para a qual ser, em certo sentido, "rei", isto é, para exercitar a grande dignidade humana de agir segundo a reta consciência, fazendo o bem e evitando o mal. A consciência moral pressupõe a capacidade de escutar a voz da verdade, de ser dócil às suas indicações. As pessoas chamadas a tarefas de governo têm, naturalmente, uma responsabilidade a mais e, portanto – como ensina Salomão –, têm ainda mais necessidade do auxílio de Deus. Mas cada um tem a própria parte a fazer, na situação concreta em que se encontra. Uma mentalidade errada sugere-nos pedir a Deus coisas ou condições favoráveis; na realidade, a verdadeira qualidade da nossa vida e da vida social depende da reta consciência de cada um, da capacidade de cada um e de todos de reconhecer o bem, separando-o do mal, e de buscar pacientemente concretizá-lo.

Peçamos, por isso, o auxílio da Virgem Maria, Sede da Sabedoria. O seu "coração" é perfeitamente "dócil" à vontade do Senhor. Embora sendo uma pessoa humildade e simples, Maria é uma rainha aos olhos de Deus e, como tal, a veneramos. A Virgem Santa ajude também a nós a formarmos, com a graça de Deus, uma consciência sempre aberta à verdade e sensível à justiça, para servir o Reino de Deus."

Fonte: http://www.cancaonova.com/portal/canais/liturgia/index.php?&dia=24&mes=7&ano=2011

O amor é a força capaz de nos ajudar a superar as nossas limitações

“No amor não há temor. Antes, o perfeito amor lança fora o temor, porque o temor envolve castigo, e quem teme não é perfeito no amor” (I Jo 4,18).

Gostaria de fazer uma reflexão sobre essa passagem da Primeira Carta de João. No contexto do versículo acima, a mensagem é clara quando afirma que devemos seguir a Deus não por temor, por medo, mas por amor! E isto é uma grande realidade. Quando amamos, somos generosos em nossa doação, quando tememos não o somos.
Um exemplo bem simples seria o lugar onde a gente trabalha. Se você tivesse um chefe que é mal, que fica ameaçando punir se tudo não for cumprido de acordo com o que ele quer, você vai fazer o que é pedido de coração, dando o melhor de si? Não... vai apenas fazer o que foi determinado e pronto, afinal não quer ser punido. Por outro lado, se seu chefe é gente boa, se te ajuda, te incentiva e é flexível, se você tem uma grande afeição a ele, se em sua relação com ele você aprende a amá-lo, com certeza dará muito mais de si, será generoso em seus afazeres, e muitas vezes, poderá fazer além do que foi pedido. Você se empenhará mais, terá mais liberdade para usar sua criatividade e vai procurar sempre conservar aquele ambiente saudável e gostoso do trabalho. O próprio trabalho se torna algo mais fácil de se fazer quando não tem o peso da obrigação, da punição e do temor!
Mas gostaria de ir mais a fundo nessa passagem que nos revela algo a mais. O temor, como outras coisas eu sentimos como a insegurança, os receios, os bloqueios que temos, a ansiedade e etc, são limitações próprias do ser humano. É natural que o tenhamos! Já o amor é uma força que vem de Deus, pois Deus é Amor (I Jo 4,8.16). Se acolhemos essa força e decidimos por usá-la,por viver a partir dela, vamos superando nossas limitações, o amor vai lançando fora o temor!  Entendeu? O amor é a força que nos ajuda a superar limitações, que nos leva a crescer e continuar nossa caminhada.
Assim, em cada decisão que temos que tomar, nossas limitações vão querer nos impedir de dar o nosso melhor. Se você é inseguro, diante de uma decisão que coloque em risco alguma segurança sua, que tenha que te expor (mesmo que seja dar um testemunho, por exemplo) sua insegurança vai querer te segurar. Nesta hora, ame, decida-se por amar a Deus e aqueles irmãos que precisam ouvir o que você tem a dizer... a força do amor te fará superar a insegurança. Em tudo o que vamos fazer podemos escolher pelo amor, e essa força que vem de Deus nos ajudará a superar as nossas limitações. Está com dificuldade de se relacionar com alguém? Ame! Está com medo de fazer algo por Deus ou por si mesmo, ou por outra pessoa? Ame! Está com raiva de alguém, está remoendo aquilo que aquela pessoa lhe fez de mal... Ame e perdoe! Ou você prefere ficar guardando esse sentimento venenoso que vai corroer sua alma e acabar com sua saúde psicológica e física? A receita para a sua limitação está em optar em cada momento por amar, por fazer por amor... assim, essa força te ajudará. Não é mágica, exige esforço, mas tenha certeza: Deus será por você! Deus te abençoe nessa caminhada!   

terça-feira, 19 de julho de 2011

Cultura do comprometimento X Cultura do descartável

Naquele tempo, 46 Jesus falava ainda à multidão, quando veio sua mãe e seus irmãos e esperavam do lado de fora a ocasião de lhe falar. 
47 Disse-lhe alguém: "Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem falar-te". 
48 Jesus respondeu-lhe: "Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?" 
49 E, apontando com a mão para os seus discípulos, acrescentou: "Eis aqui minha mãe e meus irmãos. 
50 Todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe". (Mt 12,46-50)

O Evangelho de hoje nos fala sobre um tema muito caro ao Reino e muito enfraquecido hoje em dia: o comprometimento. 
Muitas interpretações erradas dizem que Jesus se desfez de sua mãe e de todos os seus ao perguntar quem era sua mãe e seus irmãos. Ao contrário, ele apenas quis mostrar que não são os laços de sangue que farão eles serem da família de Deus ou não... mas sim o comprometimento no seguimento de Cristo. Por isso, apontou para seus discípulos que estavam mais perto (sua família esperava do lado de fora, ver versículo 46) para mostrar que eles são esse exemplo de compromisso com Cristo.
No mundo de hoje, onde a cultura do descartável tem assumido todas as áreas de nossa vida, o compromisso está se enfraquecendo. Basta ver os jovens saindo e “ficando” apenas para curtir uma noite de prazer, os casamentos que antes de se realizarem já são fadados ao insucesso com frases como “Vou casar e se não der me separo...” ou “vou casar pra ver se dá certo”... Casam-se sem pensar em dividir uma vida juntos, em serem companheiros de uma longa e bonita caminhada, sem pensar que um fará o outro feliz (ao contrário, pensam apenas no casamento como uma fonte de prazer com prazo de validade), que se completarão e “serão uma só carne”, que um fará parte do outro embora sejam pessoas distintas, que serão co-autores queridos por Deus na admirável obra da criação... Mas, voltando ao assunto, além dos casamentos com prazo de validade, existem ainda os que nem se casam para não assumir grande compromisso, apenas se juntam. Assim, se acontecer qualquer coisa, apenas se separam e pronto. 
Dei esses exemplos ligados ao compromisso amoroso, mas poderia falar de comprometimento entre amigos, entre sócios, na família, no trabalho... o cerne da questão está na facilidade e no conforto do descomprometimento e da descartabilidade! O compromisso exige das pessoas, e essa exigência assusta. A cultura do mundo dos descartáveis afirma que se não te dá mais prazer, se existe algo que parece melhor e mais confortável, apenas troque! Não se esforce, não exija de si mesmo! Como é que um relacionamento, seja amoroso, seja de amizade ou mesmo o do seguimento de Cristo pode de fato ocorrer se o ambiente em que as pessoas são criadas é totalmente contrário ao compromisso e a exigência? Fica difícil! É preciso romper as amarras dessa cultura egoísta que nos faz viver e pensar em nós mesmos, e se abrir à cultura do Reino, a cultura do amor! Talvez você diga: mas para que eu vou ficar pensando nos outros se ninguém pensa em mim? Se todos pensarem assim, de fato ninguém pensará em ninguém, e todos os relacionamentos serão apenas uma forma de tirar o que quer do outro, será um mundo em que as relações servirão para destruir ao invés de construir, para deformar ao invés de formar, para enfraquecer ao invés de ajudar a crescer. Será um mundo triste... e já não vemos isso acontecer?A cultura egoísta do descartável tem criado seres humanos fracos, que não sabem o que fazer em seus relacionamentos, que não conseguem superar os obstáculos e crescer, porque desistem com a mesma facilidade com que se troca algo ou alguém por outra coisa... A cultura do amor, que exige de nós, nos leva a vencer as dificuldades, nos leva crescer juntos e também individualmente, nos leva a não desistir do outro, nos leva ao comprometimento.
Seguir a Cristo é se comprometer, e isso significa amar, lutar e crescer. Será difícil, será por vezes doloroso (afinal descartar é muito mais fácil do que enfrentar), mas você sentirá que será uma pessoa cada vez melhor para Deus, para o próximo e para si mesmo, o que já será uma grande recompensa, se sentirá realizado! Mas, no final a recompensa será maior ainda... para aquele que buscou viver o amor, Sua vida será no Amor... será o Céu! Tudo o que você imagina de melhor sobre o amor... você viverá isso de maneira ilimitada! 
Que Nosso Senhor nos ajude a perceber em nossas atitudes as amarras egoístas que nos prendem e nos dê coragem e atitude suficientes para superarmos esse mal que nos quer fazer regredir e sermos vazios e tristes. Que possamos amar na graça de Deus e nos comprometermos com o Senhor, consigo mesmos e com os irmãos! Amém!

sábado, 16 de julho de 2011

Liberdade

"Se eu faço aquilo que Deus quer, estou limitando a minha liberdade?

Esta é uma pergunta difícil de responder e sobre ela muitos homens em todos os séculos escreveram livros difíceis... Eu tentarei dizer-lhes algo.

Vocês na realidade fazem esta pergunta porque talvez imaginem Deus como se fosse também uma pessoa, um homem como nós.

Por exemplo, você está em casa e quer ir ao cinema, mas seu pai diz: “Fique em casa e estude”. Então você pode pensar: “Eu não sou livre, porque devo obedecer ao meu pai”. Sem querer, talvez você pensa em Deus como se fosse um grande “Papai” que nos pede para fazer muitas coisas, que não coincidem com aquilo que nós gostaríamos de fazer. Mas não é assim.

O que é que Deus nos pede?
Deus não nos pede muitas coisas, pede unicamente que amemos.
O que vocês acham?
É possível amar à força?
Você poderá obedecer à força, ou fazer alguma tarefa mesmo se não tiver vontade... mas a Vontade de Deus é que você ame e você não pode amar à força.
Para responder à Vontade de Deus, portanto, eu devo ser livre, isto é, eu amo porque quero amar. Aquilo que Deus me pede é apenas isto.
É claro que durante o dia temos muitas coisas para fazer, e então você poderiam dizer: “Na realidade Deus me pede muitas coisas!”
Não, Deus lhe pede sempre a mesma coisa: amar. Quando você deve escolher entre duas alternativas, Ele não lhe diz: “Faça isto!” e sim, “Ame, se você amar, entenderá qual delas deverá escolher”.
Voltemos ao exemplo que dei antes: você acha que a vontade de seu pai oprime a sua liberdade, porque gostaria de ir ao cinema. Mas experimente pensar assim: “Eu não devo ir ao cinema, nem estudar; se ficar em casa e estudar alegro o meu pai. Amar é alegrar o próximo, portanto, é estudar. Então estudo porque quero amar, e desta forma sou livre.
Portanto, se eu não amar sinto-me forçada a fazer coisas que não quero, mas se eu entendo que fazer a Vontade de Deus é apenas amar, saberei o que é melhor fazer para amar.
Fazer a Vontade de Deus não significa fazer a vontade de outra pessoa que condiciona a minha, mas significa também “existir”.
Explico-me melhor. Antes que Deus me criasse, eu não existia. Eu existo porque Deus me criou e me quis criar livre. E então de que depende a minha liberdade? Depende da Vontade de Deus. É Ele quem do nada me chama e me diz: “Venha”, e eu, amando, vou ao Seu encontro.
Vocês se apercebem então que eu posso viver a minha liberdade porque Deus está me dizendo: “Eu quero que você seja livre, venha”, mas se Ele não me chamasse, eu não existiria e nem mesmo seria livre.
Então, o que quer dizer fazer a Vontade de Deus? A Deus que me diz: “Eu quero que você exista”, eu respondo: “Sim, Senhor, eis-me aqui”.
Poderia surgir agora a pergunta: “Mas por que certas vezes tenho a impressão que a Vontade de Deus me limita, constrange-me a fazer coisas que eu não gostaria?”
É verdade. Todos nós experimentamos isto. Por quê? Porque muitas vezes não amamos. Então certamente sentimos que a Vontade de Deus é diferente da nossa.
Mas olhemos para os santos, isto é, aqueles cristãos que quiseram realmente viver o Evangelho. Todos sempre repetiram a mesma coisa; “Nós experimentamos que quanto mais fazemos a Vontade de Deus, tanto mais somos livre”. Poderia parecer contraditório, mas não é, porque ser santos quer dizer justamente amar como Deus ama.
Uma grande santa, Terezinha do Menino Jesus, pouco antes de morrer disse: “Eu não diria que na minha vida fiz a Vontade de Deus, mas que Deus fez a minha, porque eu lhe quis sempre bem”. Ou então, pensem naquele episódio do Evangelho, quando Jesus e Nossa Senhora foram convidados às Bodas de Canaã. A um certo momento faltou vinho, então Nossa Senhora disse a Jesus: “Olhe, eles não têm mais vinho” e Jesus fez a vontade de Maria? Maria lhe pediu e Jesus a atendeu.
Jesus no Evangelho não disse mil coisas, e sim, “uma só coisa é necessária: amar a Deus e ao próximo”.
Santo Agostinho dizia: “Ame e faça o que quiser”. Então você será livre
Você não se deve perguntar: “É Vontade de Deus fazer isto ou aquilo?” E sim dizer: “Amo mais nisto ou naquilo?” E Jesus dentro de você lhe dirá a resposta.
Desde modo, fazendo tudo aquilo que Ele lhe diz, você se preencherá sempre mais d’Ele."

Peppuccio - Focolares
Fonte: http://voluntariosdesaopaulo.blogspot.com/2011/07/liberdade.html

Há uma oportunidade escondida em cada situaçao vivida!

“Somos obra sua, criados em Jesus Cristo para as boas ações, que Deus de antemão preparou para que nós as praticássemos.” (Ef 2,10)

Gostaria de fazer uma breve reflexão a respeito das oportunidades que Deus nos dá ao longo do nosso dia. A passagem acima é clara quando afirma que Deus preparou a muito tempo boas ações para que pudéssemos crescer Nele!
É interessante a afirmação porque precisamos ter esse “senso de oportunidade”, esse olhar espiritual que enxerga além da aparência da situação, que nos faz perceber o que o Senhor comunica nas “entrelinhas”, na profundidade da situação. Em todo o momento Deus nos coloca essas boas ações, mesmo nas situações mais simples. É preciso abrir os olhos para não perdê-las!  É por isso que Santo Agostinho dizia sabiamente: “Eu tenho medo da graça que passa sem que eu perceba!”
Essas boas ações têm dois sentidos que se ligam entre si, normalmente se praticamos uma direção a outra também sesta incluída: o próximo e a si mesmo. O primeiro sentido é bem óbvio, “somos feitos para o outro” dizia Dom Bosco. Em todo o momento, somos convidados a amar e servir o nosso próximo, mesmo que esse serviço se resuma num “bom dia” bem dado, ou num sorriso, que pode fazer toda a diferença na vida da pessoa que o recebeu...
O segundo sentido das boas ações vai em nossa direção. Deus nos dá a oportunidade de crescermos diante das situações. É claro que quando amamos o irmão no primeiro sentido das boas ações, crescemos e crescemos muito! Mas Deus também quer que superemos nossos limites nesse segundo sentido. As boas ações corajosamente praticadas em todas as situações nos leva a crescer!
Veja só estes dois exemplos. O primeiro poderia ser de alguém que viveu desequilibradamente a sua afetividade e a sua sexualidade.  Deus vai colocar outras pessoas em sua vida, ou talvez até recolocar a mesma pessoa que você teve dificuldade de viver bem, santamente. Será uma ótima oportunidade para que essa pessoa supere suas fraquezas, seus limites, e “faça diferente!” Lembre-se: sempre que Deus nos permite viver uma situação, podemos contar com Sua graça para vivê-la bem! Um segundo exemplo: seria alguém com grande insegurança e medo por conta de situações mau vividas,de coisas que Fe que não foram bem aceitas ou que ela não fez direito.Normalmente, a pressão própria da insegurança vai criando galhos que afetam todas as áreas de nossa vida, mas principalmente aquelas sobre as quais a insegurança criou raízes devido aos traumas vividos. Talvez você se depare com a necessidade de enfrentar determinada situação que te faz lembrar do trauma vivido,ou que apenas lhe cause grande insegurança. Acredite, Deus permite isso para que você encare de frente, com o auxílio de Sua graça, essa situação da luta pela superação seu momento de cura e libertação interior...uma forma de Deus agir em você de forma que recupere a sua confiança Nele (que está sempre contigo) e em si mesmo, te tornando mais livre interiormente. 
Vamos transformar todas as situações em boa ações. Por mais difícil que seja determinada situação, dentro dela se esconde uma grande oportundade de crescimento... aproveite! E nunca perca essa verdade de vista! Ao contrário, vivendo a situação, já vá pensando nisso para que possas viver com mais intensidade e coragem, buscando tirar o maior proveito daquilo! Esforce-se! Seu esforço será recompensado com certeza!
Portanto, mantenha seus olhos bem abertos! Cultive sua atenção a todos os detalhes e nunca deixe a graça passar! Que Nosso Senhor, por intercessão de Nossa Senhora do Carmo (que celebramos hoje), nos abra os olhos espirituais e nos ajude a viver da melhor maneira possível tudo o que Ele nos coloca, que não deixemos a graça passar em nossa vida! Amém! Vem Senhor Jesus!

terça-feira, 12 de julho de 2011

A nossa história redimida em Deus nos leva à felicidade

Leitura (Êxodo 2,1-15)

"Um homem da casa de Levi tinha tomado por mulher uma filha de Levi, que ficou em breve grávida, e deu à luz um filho. Vendo que era formoso, escondeu-o durante três meses. Mas, não podendo guardá-lo oculto por mais tempo, tomou uma cesta de junco, untou-a de betume e pez, colocou dentro o menino e depô-la à beira do rio, no meio dos caniços. A irmã do menino colocara-se a alguma distância para ver o que lhe havia de acontecer. Abriu-a e viu dentro o menino que chorava. E compadeceu-se: “É um filho dos hebreus”, disse ela. Ora, a filha do faraó desceu ao rio para se banhar, enquanto suas criadas passeavam à beira do rio. Ela viu a cesta no meio dos juncos e mandou uma de suas criadas buscá-la. 
Veio então a irmã do menino e disse à filha do faraó: “Queres que vá procurar entre as mulheres dos hebreus uma ama de leite para amamentar o menino?”
“Toma este menino, disse-lhe a filha do faraó, amamenta-o; dar-te-ei o teu salário”. A mulher tomou o menino e o amamentou. “Sim”, disse a filha do faraó. E a moça correu a buscar a mãe do menino. Quando o menino cresceu, ela o conduziu à filha do faraó, que o adotou como seu filho e deu-lhe o nome de Moisés, “porque, disse ela, eu o salvei das águas”.
Moisés cresceu. Um dia em que saíra por acaso para ir ter com os seus irmãos, foi testemunha de seus duros trabalhos, e viu um egípcio ferindo um hebreu dentre seus irmãos. Moisés, voltando-se para um e outro lado e vendo que não havia ali ninguém, matou o egípcio e ocultou-o na areia. 
Saindo de novo no dia seguinte, viu dois hebreus que estavam brigando. E disse ao culpado: “Por que feres o teu companheiro?” Mas o homem respondeu-lhe: “Quem te constituiu chefe e juiz sobre nós? Queres, por ventura, matar-me como mataste o egípcio?” Moisés teve medo e pensou: “Certamente a coisa já é conhecida.”
O faraó, sabendo do ocorrido, procurou matar Moisés, mas este fugiu para longe do faraó. Retirou-se para a terra de Madiã, e sentou-se junto de um poço."

  
A leitura de hoje nos mostra como a salvação de Deus transforma a nossa história. No final do capítulo 1 de Êxodo, vemos o Faraó ordenando que todos os recém-nascidos homens dos hebreus fossem mortos porque o povo se multiplicava e os egípcios estavam ficando assustados com tamanho número de pessoas. Existia o medo de que estes pudessem se rebelar e tomar o Egito, já que estavam sendo tratados com crueldade.
É nesse contexto que a mãe de Moisés dá a luz ao seu filho. A partir daí, percebemos a Providência de um Deus que cuida de nós.
A mãe de Moisés, para salvar seu filho, preparou uma cesta de forma que esta boiasse e não entrasse água, e colocou-a com o bebê num rio. Importante chamar a atenção aqui para o fato de que ela simplesmente não o colocou numa cesta no rio e deixou que o destino cuidasse de tudo. Ela não foi irresponsável... é importante termos a consciência de nossa responsabilidade em nossa vida e na daqueles que Deus nos confia!
Além disso, mandou que a irmã do menino acompanhasse seu percurso guardando-o para que nenhum mal lhe acontecesse (a irmã foi espertinha ao sugerir como quem não queria nada, que poderia encontrar uma ama de leite, que "coincidentemente foi a sua mãe"). Então, a Providência que cuida de tudo fez com que a filha do Faraó o encontrasse. Era a única forma de salvar a vida daquela criança não fosse morta. Mais ainda, Deus cuidou tão bem da situação que “ajeitou” para a própria mãe ser a ama de leite da criança e ainda receber um pagamento por isso! Fala sério, né? Salvou a criança, fez com que ficasse sob os cuidados da mãe e ela ainda foi paga para fazer isso! E depois ainda achamos que nossos planos são melhores que os planos de Deus! Quem é que pensaria nisso? Duvido que eu ou você teria planejado melhor! Tenha certeza que Ele planeja com essa mesma sabedoria o melhor para a sua vida, mesmo que hoje lhe pareça que Ele não te escuta... A mãe de Moisés poderia ter pensado a mesma coisa diante do que viveu...  
Será bom se nos colocarmos no lugar daquela mãe para entendermos melhor a situação. Veja, você está para dar a luz a uma criança, seu filho e chega a ordem de que todos os meninos deveriam ser mortos. Pense no desespero daquela mãe, na situação triste e desoladora que pairava no meio do povo hebreu. Some-se a isso, a crueldade com que eram tratados pelos egípcios. Eram escravos numa terra distante! Eles que sempre prezaram pela Terra Prometida... Era uma situação muito difícil... bem pior do que muitas que vivemos hoje! Para salvar seu filho confiou na Providência, no cuidado de Deus... e Ele pensou em tudo! Quantas vezes brigamos com Deus porque nossa situação ta difícil e queremos que as coisas aconteçam do nosso jeito? Quantas vezes achamos que nossos planos são melhores do que os de Deus e ficamos enchendo sua paciência para fazer o que estamos pensando? Quantas vezes achamos que nossa visão de curta distância é melhor do que a visão de longa distância de Deus? Que vê o que não vemos e sabe “costurar” as coisas de forma a nos dar o melhor, mesmo que por vezes tenhamos que passar por algumas dificuldades?
E aqui entramos num tema complexo que são as “costuras” que Deus faz em nossas vidas. De fato, Ele “escreve certo por linhas tortas!” Não porque nos quer ver sofrer, mas porque em muitos casos a nossa liberdade e a de muitas outras pessoas envolvidas de dizer sim ou não O "obriga" a fazer “costuras” para resolver a situação, para aproveitar a nossa história e mesmo as nossas decisões erradas lá na frente! Deus aproveitou a decisão errada do Faraó e tirou um bem maior! Ele faz o mesmo em nossa vida. Isso porque Ele respeita o dom que nos deu, o dom da liberdade! Por outro lado, Ele tem o conhecimento de tudo até das decisões erradas que cometeremos... E já vai preparando as “costuras” futuras...
Voltando para Moisés, depois que viveu um bom tempo com sua mãe, passou a receber os cuidados da filha do Faraó. Com certeza aprendeu muita coisa, teve muitas experiências que como hebreu entre os hebreus escravizados no Egito, não teria condições de aprender e viver. Deus aproveitou-se desse fato triste que foi a disposição assassina do Faraó, para tirar um bem maior! Moisés, guiado por Deus, liderou a libertação do povo de Israel das mãos opressoras do Egito. Com certeza, Deus se utilizou de muitas das coisas que Moisés aprendeu e das habilidades que ele adquiriu enquanto “filho adotivo da filha do Faraó” para fazer com que essa libertação e a caminhada pelo deserto acontecesse!
Por certo que Deus não aprovou o assassinato de um egípcio por Moisés, mas depois que ele já tinha feito a besteira e teve que fugir, aproveitou para recrutá-lo para ser co-participante da libertação de seu povo! A história de vida de Moisés foi usada em favor de Deus e, portanto, em favor da libertação de seu povo! Deus não somente cuida de nós, santifica a nossa história, mas também tira um bem maior de tudo o que temos e que ofertamos para que Ele utilize para o bem. Nossa história passa a ser assim, não uma história de pecado e sofrimento, mas de amor e salvação... Deus não aprova nossos erros e pecados, mas os redime tirando deles um bem maior. Deus é capaz de passar nossa história a limpo e fazer dela e de tudo o que aprendemos e experimentamos, fonte de aprendizado e crescimento para nós e para os irmãos.
Não sei o que você tem vivido ou mesmo o que você viveu... só sei de uma coisa: não permita que o medo do futuro, a desesperança pela dificuldade do hoje, ou mesmo a culpa e a falta de perdão pelos pecados e erros cometidos nos passado tomem conta do seu coração. Deus está contigo e Ele tem planos maravilhosos preparados para sua vida! Se permitires, ele não somente te fará feliz, mas fará de ti, sinal e testemunho da presença amorosa Dele para muitas pessoas! Permitir que Deus recapitule a nossa história é permitir que Ele transforme nosso passado, presente e futuro!
Vem Senhor Jesus!

quinta-feira, 7 de julho de 2011

A dinâmica da Providência Divina

A Divina Providência cuida de nós em todos os detalhes! Senti no coração de refletir um pouco sobre esta mão invisível de Deus que cuida de nós. Assim, confiantes nesse cuidado, poderemos serenar em nosso coração as tempestades que a insegurança do amanhã insiste em criar.

““Aproximai-vos”, disse-lhes ele; e eles aproximaram-se. E ele disse-lhes: “Eu sou José, vosso irmão, que vendestes para o Egito. Mas agora não vos entristeçais, nem tenhais remorsos de me ter vendido para ser conduzido aqui. É para vos conservar a vida que Deus me enviou adiante de vós".” (Gn 45,4-5)

Para entender melhor a dinâmica da Providência de Deus é interessante analisar a história de José do Egito. Sua saga inicia-se em Gênesis 37 e vai até o último capítulo (50). Basicamente sua história fala da inveja que a maioria de seus irmãos tinha dele. Inclusive porque Deus lhe dava sonhos que mostravam um grande futuro.
Certo dia, ele foi vendido por seus próprios irmãos ao eunuco do Faraó chamado Putifar. Embora fosse querido por todos, a esposa do eunuco se apaixonou por ele e o desejou. José foi fiel a Deus e não aceitou, e ela mentiu ao marido dizendo que ele a queria. Resultado: foi preso.
José interpretando os sonhos do Faraó
Peter Von Cornelius - 1817
Na prisão, José conseguiu interpretar os sonhos do copeiro e do padeiro do Faraó que estavam com ele. Tempos depois, o Faraó teve um sonho e ninguém conseguia interpretar. O copeiro se lembrou de José e o Faraó mandou buscá-lo. Este interpretou seus sonho e lhe deu conselhos sábios, então Faraó o nomeou governador do Egito.
O primeiro ponto importante é que a Providência de Deus faz de nós seus cooperadores. Deus faz questão de acreditar em nós e em nos fazer seus parceiros. Somos convidados a abrir nosso coração às inspirações do Senhor que nos mostra o que devemos fazer, como podemos ajudá-Lo. Da mesma forma, com certeza você já viu a mão bondosa de Deus providenciando algo em sua vida através de alguém, não é?
O segundo ponto importante é o tempo. E aí o "calo aperta"... Pedimos algo para Deus e achamos que tem que ser para ontem... mais tardar para amanhã cedo...  Pois é, as coisas não são e não podem ser assim tão rápidas como queremos. Somos imediatistas. E se demora logo desanimamos. Veja o caso emblemático de José. Quantos anos será que levou do dia em que foi vendido como escravo até ser governador do Egito? Com certeza não foram poucos meses, e tão pouco poucos anos!  Foram vários anos... E se fosse com a gente? Teríamos desistido??? Embora tenha demorado, José permaneceu fiel ao Senhor, mesmo parecendo que muitas vezes Deus não o protegia ou não ouvia as suas orações. Afinal, foi vendido como escravo, quando começa a resolver a vida... alguém mente e ele é preso... parece que a coisa tá piorando, né? Acho que você já deve ter vivido ou está vivendo algo assim... Permaneça firme e se determine como José! Afinal, o tempo que demora para acontecer é o "tempo de maturação" necessário para que você viva bem Aquilo que Deus tem para você. A espera já faz parte da benção, pois quando bem vivida, nos prepara para viver bem o novo de Deus!
O terceiro ponto é que a Providencia de Deus nos dá muitas coisas, ou pode nos permitir viver experiências difíceis ou perder algo ou alguém para que possamos crescer. Essa perda pode ser temporária ou permanente... mas o importante é que ela vai nos levar ao crescimento se vivermos bem esse tempo! Um dos grandes segredos é que em tudo o que vivemos, devemos viver bem, em Deus, buscando aprender com aquilo e crescer. Manter-se fiel nas esperas e nas dificuldades é a melhor escolha certa a se fazer.
O quarto ponto que gostaria de refletir aqui é sobre a nossa curta visão a respeito da Providência de Deus. Pensamos nela apenas com uma visão de curto prazo. Preciso de algo para esses dias e pronto. Ou Deus me fez algo bom ontem, que bom... Deus providenciou um dinheiro para eu comprar tal coisa... Ou perdi algo ontem... Nossa visão é curta. Veja a conclusão de José na passagem que citei acima, ele percebeu que todo o conjunto de situações que viveu naqueles anos todos serviram para que ele salvasse o povo de Israel de uma grande fome! Sim, porque a fome estava presente em toda aquela região devido às más colheitas e a aridez daquela época do ano. E todos os povos foram ao Egito, único país abastecido e preparado para enfrentar aquela calamidade (por conta do sonho que Deus deu ao Faraó e foi interpretado por José). José na analisou apenas uma ou outra obra da Providência em sua vida... não olhou o curto prazo, mas viu o conjunto e percebeu que de tudo o que viveu, que cada situação providenciada por Deus era apenas uma pincelada de Deus numa obra-prima muito maior, que salvaria não somente o povo do Egito e de Israel da fome, mas também de muitos outros povos que foram pedir seu auxílio. Não devemos olhar a nossa história apenas num curto prazo, apenas algumas pinceladas, é importante ter “visão do conjunto”, é importante olhar toda a obra-prima de salvação!
A nossa vida é uma obra-prima de um Deus que continua trabalhando em nós. Porém, Ele faz questão de que nós sejamos seus parceiros não somente em nossa vida, mas da construção do Reino, na busca de um mundo melhor!
Que o Senhor nos ajude a perceber Sua mão bondosa cuidando de nós em todos os momentos, na alegria e no sofrimento, na espera e nos tempos de forte experiência da graça de Deus, e que tenhamos acima de tudo, um coração agradecido e confiante de que Ele está no controle de tudo, e que sempre o Senhor vai querer o melhor para nós! Assim seja!

PAIXÃO X AMOR: QUAL A DIFERENÇA?

"O amor vale mais quando o sentimento desapareceu". Pe Paulo Ricardo

"Aquele frio na barriga, pensar na pessoa o dia inteiro, não ver a hora de encontrar o(a) amado(a). O beijo tem sabor especial, abraçar a pessoa é como se o tempo parasse… Nossa! Quem namorou sabe o que é isso: Amor!
Aquela vontade de sair com os amigos… Puxa, como ela(e) fica chata(o) de vez em quando. Nossa, parece que está com TPM! Algumas atitudes dela(e) me irritam. Meu Deus! Parece que ela(e) não vai mudar nunca… Quem já namorou sabe o que é isso: Amor?
É, a diferença entre amor e paixão vem com o tempo. No início tudo é uma beleza, todos os sentimentos de paixão florescem – o que é natural. Mas depois chega a oportunidade de saber se o que sinto pela pessoa é verdadeiramente o amor, sentimento que se põe em evidência quando diminui a paixão.
“As pessoas acham que amor é sentimento. A primeira coisa chocante no namoro é justamente quando elas descobrem que o sentimento evapora”, afirma padre Paulo Ricardo.
Muitos casais vivem momentos de crise no namoro porque aquele sentimento do início não existe mais, mas é justamente aí que entra o amor, porque o relacionamento vai amadurecendo.
A nossa sociedade, por intermédio da mídia, foi sendo formada para associar o amor a algum tipo de prazer, e é justamente neste ponto que muitos casais decidem terminar o namoro com a desculpa de que não existe mais amor. No fundo, as pessoas querem viver de sentimento.
“Você vê aquele jovem casal que acabou se se conhecer na balada. Eles estão com os sentimentos à flor da pele, com os hormônios a todo vapor. Mas daí você vê aquele casal de velhinhos de 50 anos de casados. Eu pergunto: ‘Quem tem mais sentimento?’ Certamente o casal que acabou de se conhecer. Mas lhe faço outra pergunta: ‘Quem tem mais amor?’ É o casal que está casado há 50 anos. Tanto é verdade que, muitos destes casais casados há muito tempo, quando um deles morre o outro morre logo em seguida. Por quê? Porque o amor era tão forte que um já não conseguia viver sem o outro. Certamente com 50 anos de casados, muitos deles já não sentiam a ‘paixão’ um pelo o outro, mas existia o mais importante: o amor”,  declara padre Paulo Ricardo.
Portanto, nós jovens precisamos aprender a ir além dos nossos sentimentos, amadurecer nos nossos relacionamentos como namorados, porque muitos casamentos estão se desfazendo não por falta de amor, mas por excesso de paixão, nos quais as pessoas querem só o prazer pelo prazer."
Fonte: http://destrave.cancaonova.com/paixao-x-amor-qual-a-diferenca/

domingo, 3 de julho de 2011

Sermão de Santo Agostinho sobre São Pedro e São Paulo

Quero aproveitar a celebração destes dois grandes apóstolos, São Pedro e São Paulo, para postar um trecho de um sermão de Santo Agostinho que é meditado pela Igreja em todo o mundo neste dia no Ofício das Leituras da Liturgia das Horas:

"Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo (Sermo 295,1-2.4.7-8:PL38,1348-1352) (Séc.V)

Estes mártires viram o que pregaram

O martírio dos santos apóstolos Pedro e Paulo consagrou para nós este dia. Não falamos de mártires desconhecidos. Sua voz ressoa e se espalha em toda a terra, chega aos confins do mundo a sua palavra (Sl 18,5). Estes mártires viram o que pregaram, seguiram a justiça, proclamaram a verdade, morreram pela verdade.

São Pedro, o primeiro dos apóstolos, que amava Cristo ardentemente, mereceu escutar: Por isso eu te digo que tu és Pedro (Mt 16,19). Antes, ele havia dito: Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo (Mt 16,16). E Cristo retorquiu: Por isso eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra construirei minha Igreja (Mt 16,18). Sobre esta pedra construirei a fé que haverás de proclamar. Sobre a afirmação que fizeste: Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo, construirei a minha Igreja. Porque tu és Pedro. Pedro vem de pedra; não é pedra que vem de Pedro. Pedro vem de pedra, como cristão vem de Cristo.

Como sabeis, o Senhor Jesus, antes de sua paixão, escolheu alguns discípulos, aos quais deu o nome de apóstolos. Dentre estes, somente Pedro mereceu representar em toda parte a personalidade da Igreja inteira. Porque sozinho representava a Igreja inteira, mereceu ouvir estas palavras: Eu te darei as chaves do Reino dos Céus (Mt 16,19). Na verdade, quem recebeu estas chaves não foi um único homem, mas a Igreja una. Assim manifesta-se a superioridade de Pedro, que representava a universalidade e a unidade da Igreja, quando lhe foi dito: Eu te darei. A ele era atribuído pessoalmente o que a todos foi dado. Com efeito, para que saibais que a Igreja recebeu as chaves do Reino dos Céus, ouvi o que, em outra passagem, o Senhor diz a todos os seus apóstolos: Recebei o Espírito Santo. E em seguida: A quem perdoardes os pecados, eles serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos (Jo 20,22-23).

No mesmo sentido, também depois da ressurreição, o Senhor entregou a Pedro a responsabilidade de apascentar suas ovelhas. Não que dentre os outros discípulos só ele merecesse pastorear as ovelhas do Senhor; mas quando Cristo fala a um só, quer, deste modo, insistir na unidade da Igreja. E dirigiu-se a Pedro, de preferência aos outros, porque, entre os apóstolos, Pedro é o primeiro.

Não fiques triste, ó apóstolo! Responde uma vez, responde uma segunda, responde uma terceira vez. Vença por três vezes a tua profissão de amor, já que por três vezes o temor venceu a tua presunção. Desliga por três vezes o que por três vezes ligaste. Desliga por amor o que ligaste por temor. E assim, o Senhor confiou suas ovelhas a Pedro, uma, duas e três vezes.

Num só dia celebramos o martírio dos dois apóstolos. Na realidade, os dois eram como um só. Embora tenham sido martirizados em dias diferentes, deram o mesmo testemunho. Pedro foi à frente; Paulo o seguiu. Celebramos o dia festivo consagrado para nós pelo sangue dos apóstolos. Amemos a fé, a vida, os trabalhos, os sofrimentos, os testemunhos e as pregações destes dois apóstolos."


Fonte: http://www.liturgiadashoras.org/oficiodasleituras/pedroepaulo.html

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Sagrado Coração de Jesus: uma experiência do amor de Deus!

"Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: em nos ter enviado ao mundo o seu Filho único, para que vivamos por ele. Nisto consiste o amor: não em termos nós amado a Deus, mas em ter-nos ele amado, e enviado o seu Filho para expiar os nossos pecados." (IJo 4,9-10)

Hoje celebramos o Sagrado Coração de Jesus! Esta celebração faz-nos lembrar que o Coração simboliza o amor... e que dentro deste Coração Sagrado cabe a todos sem distinção. Você cabe dentro deste Coração e é convidado a fazer uma experiência profunda dentro Dele, de ser amado e acolhido! A citação acima nos mostra a verdade do amor de Deus: Ele te escolheu para ser amado antes de você imaginar que Ele existe! Aliás, desde que Ele pensou em você Ele já te amou e nunca mais parou de te amar!
Talvez você tenha vivido tantas situações difíceis na vida, principalmente no relacionamento com os outros, que talvez o tenha deixado triste, machucado (a), cansado (a) e até mesmo descrente do amor... nesta hora em que você lê este post, Jesus o convida a fazer a experiência do deixar-se amar. Ele não lhe pede nada... Ele escolheu te amar primeiro...Independente do que você fez ou tem feito de sua vida, independente do que fez hoje. Apenas deixe-se amar. Abra seu coração, desarme-se e renda-se a esse amor. Solte seu corpo e sua alma... E renda-se a um amor que vai além do que você considera suficiente... renda-se a um amor que de tão abundante te deixa constrangido...Apenas deixe-se amar, permita que Deus tome a iniciativa... fique numa posição confortável onde você estiver e reze baixinho dizendo a Deus que você se rende ao amor Dele, que você quer sentir, fazer a experiência desse amor que não tem limites...

“VIGIAI E ORAI, PARA NÃO CAIRDES EM TENTAÇÃO, POIS O ESPÍRITO ESTÁ PRONTO, MAS A CARNE É FRACA” (MT 26,41).

Quero partilhar a Palavra de Vida que será meditada neste mês de julho pelos integrantes do Movimento Focolares. A partir da passagem bíblica do título, vamos nos enriquecer com a meditação da fundadora Chiara Lubich:

"Estas palavras foram dirigidas por Jesus a Pedro, Tiago e João, durante sua agonia no Getsêmani, aos vê-los dominados pelo sono. Ele tinha levado consigo esses três apóstolos – os mesmos que haviam testemunhado sua transfiguração no monte Tabor – para que ficassem a seu lado naquele momento tão difícil e se preparassem com Ele pela oração, pois o que estava para acontecer seria uma terrível provação também para eles.

“Vigiai e orai, para não cairdes em tentação, pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca”.

Mais do que uma recomendação de Jesus aos discípulos, é preciso entender essas palavras – à luz das circunstâncias em que são pronunciadas – como um reflexo de seu estado de espírito, ou seja, de como Ele se prepara para a provação. Diante da paixão iminente, Ele reza com todas as forças de seu espírito, luta contra o medo e o pavor da morte, lança-se no amor do Pai, para ser fiel até o fim à sua vontade, e ajuda seus apóstolos a fazer o mesmo. 
Aqui Jesus revela-se a nós como o modelo para quem precisa enfrentar uma provação e, ao mesmo tempo, como o irmão que se coloca ao nosso lado naquele momento difícil.

“Vigiai e orai, para não cairdes em tentação, pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca”.

A exortação à vigilância aparece com frequência nos lábios de Jesus. Para Ele vigiar significa jamais se deixar vencer pelo “sono espiritual”, estar sempre pronto a acolher a vontade de Deus, saber captar os sinais dela na vida de cada dia e, sobretudo, saber interpretar as dificuldades e os sofrimentos à luz do amor de Deus.
Mas a vigilância é inseparável da oração, pois a oração é indispensável para vencer a provação. A fragilidade conatural ao homem (“a fraqueza da carne”) pode ser superada pela força que vem do Espírito.

“Vigiai e orai, para não cairdes em tentação, pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca”.
 
Como podemos, então, viver a Palavra de Vida deste mês?
Também nós devemos prever, em nosso programa, o encontro com a provação, as pequenas ou as grandes que enfrentamos todos os dias. Podem ser provações normais ou provações clássicas, com as quais, cedo ou tarde, quem é cristão, não pode deixar de deparar-se. Ora, a primeira condição para superar a provação, qualquer provação – alerta Jesus –, é a vigilância. Trata-se de saber discernir, de perceber, que são provações permitidas por Deus, não certamente para nos desencorajar, mas para que, ao superá-las, amadureçamos espiritualmente.
Ao mesmo tempo, devemos rezar. A oração é necessária, porque as tentações às quais estamos mais expostos nesses momentos são de dois tipos: por um lado, a presunção de conseguirmos superar sozinhos a provação; por outro, o sentimento oposto, ou seja, o temor de não sermos capazes de superá-la, como se ela fosse superior às nossas forças. No entanto, Jesus nos garante que o Pai celeste não nos deixará faltar a força do Espírito Santo, se estivermos vigilantes e se lhe pedirmos essa força com fé."

Chiara Lubich