quinta-feira, 30 de junho de 2011

Palavras do Papa Bento XVI por ocasião da celebração de seu 60º aniversário de ordenação sacerdotal

Ao ler estas palavras do Papa Bento XVI fiquei particularmente tocado. O conjunto delas se torna um programa de vida de alguém que, sendo amigo de Jesus, passa pelos momentos bons e difícieis da vida Nele, crescendo e encontrando a si mesmo em Cristo. Eu as tirei de um noticiário católico muito bom chamado ACI Digital:

"Papa recordou com emoção seu 60º aniversário de ordenação sacerdotal

VATICANO, 30 Jun. 11 (ACI/EWTN Noticias) .- Ao presidir esta quarta-feira no Vaticano a Missa pela Solenidade de São Pedro e São Paulo, o Papa Bento XVI meditou sobre o sentido de seu ministério sacerdotal, ao cumprir o seu 60º aniversário de ordenação ministerial.

"Já não vos chamo servos, mas amigos", disse o Papa e recordou que "passados sessenta anos da minha Ordenação Sacerdotal, sinto ainda ressoar no meu íntimo estas palavras de Jesus, que o nosso grande Arcebispo, o Cardeal Faulhaber, com voz já um pouco fraca, mas firme, dirigiu a nós, novos sacerdotes, no final da cerimônia da Ordenação", disse o Pontífice.

"eu sabia e sentia que esta não era, naquele momento, apenas uma frase "de cerimônia"; e que era mais do que uma mera citação da Sagrada Escritura. Estava certo disto: neste momento, Ele mesmo, o Senhor, di-la a mim de modo muito pessoal. No Batismo e na Confirmação, Ele já nos atraíra a Si, acolhera-nos na família de Deus. Mas o que estava a acontecer naquele momento ainda era algo mais. Ele chama-me amigo", acrescentou o Papa.

"Acolhe-me no círculo daqueles que receberam a sua palavra no Cenáculo; no círculo daqueles que Ele conhece de um modo muito particular e que chegam assim a conhecê-Lo de modo particular".

"Concede-me a faculdade, que quase amedronta, de fazer aquilo que só Ele, o Filho de Deus, pode legitimamente dizer e fazer: Eu te perdoo os teus pecados.".

"Sei que, por detrás de tais palavras, está a sua Paixão por nossa causa e em nosso favor. Sei que o perdão tem o seu preço: na sua Paixão, Ele desceu até ao fundo tenebroso e sórdido do nosso pecado. Desceu até à noite da nossa culpa, e só assim esta pode ser transformada".

"E, através do mandato de perdoar, Ele permite-me lançar um olhar ao abismo do homem e à grandeza do seu padecer por nós, homens, que me deixa intuir a grandeza do seu amor", acrescentou.

O Santo Padre admitiu que o chamado de Deus "pode nos fazer estremecer através das décadas, com tantas experiências de nossa própria debilidade e de sua inesgotável bondade"; mas em seu chamado, o Senhor convida a viver plenamente a amizade.

"A amizade é uma comunhão do pensar e do querer. O Senhor não se cansa de nos dizer a mesma coisa: "Conheço os meus e os meus conhecem-Me"".

"Ele conhece-me por nome. Não sou um ser anônimo qualquer, na infinidade do universo. Conhece-me de modo muito pessoal. E eu? Conheço-O a Ele? A amizade que Ele me dedica pode apenas traduzir-se em que também eu O procure conhecer cada vez melhor; que eu, na Escritura, nos Sacramentos, no encontro da oração, na comunhão dos Santos, nas pessoas que se aproximam de mim mandadas por Ele, procure conhecer sempre mais a Ele próprio".

"Na amizade", prosseguiu o Pontífice  "minha vontade, crescendo, une-se à d'Ele: a sua vontade torna-se a minha, e é precisamente assim que me torno de verdade eu mesmo."

"Senhor, ajudai-me a conhecer-Vos cada vez melhor! Ajudai-me a identificar-me cada vez mais com a vossa vontade! Ajudai-me a viver a minha existência, não para mim mesmo, mas a vivê-la juntamente convoco para os outros! Ajudai-me a tornar-me sempre mais vosso amigo!", disse ontem o Papa Bento.

Ao referir-se logo à vocação do sacerdote, o Papa disse que "O Senhor exorta-nos a superar as fronteiras do ambiente onde vivemos e levar ao mundo dos outros o Evangelho, para que permeie tudo e, assim, o mundo se abra ao Reino de Deus"; mas para isso "Precisamos do sol e da chuva, da serenidade e da dificuldade, das fases de purificação e de prova mas também dos tempos de caminho radioso com o Evangelho".

"Num olhar de retrospectiva, podemos agradecer a Deus por ambas as coisas: pelas dificuldades e pelas alegrias, pela horas escuras e pelas horas felizes. Em ambas reconhecemos a presença contínua do seu amor, que incessantemente nos conduz e sustenta".

O Pontífice logo perguntou: "de que gênero é o fruto que o Senhor espera de nós?"

"O autêntico conteúdo da Lei, a sua summa, é o amor a Deus e ao próximo. Este duplo amor, porém, não é qualquer coisa simplesmente doce; traz consigo o peso da paciência, da humildade, da maturação na educação e assimilação da nossa vontade à vontade de Deus, à vontade de Jesus Cristo, o Amigo. Só deste modo, tornando verdadeiro e reto todo o nosso ser, é que o amor se torna também verdadeiro, só assim é um fruto maduro".

"Amor significa abandonar-se, dar-se; leva consigo o sinal da cruz".

Finalizando sua homilia, o Pontífice disse que "Senti-me impelido a dizer-vos – a todos os presbíteros e Bispos, mas também aos fiéis da Igreja – uma palavra de esperança e encorajamento; uma palavra, amadurecida na experiência, sobre o fato que o Senhor é bom".
"Esta é sobretudo uma hora de gratidão: gratidão ao Senhor pela amizade que me concedeu e que deseja conceder a todos nós. Gratidão às pessoas que me formaram e acompanharam. E, subjacente a tudo isto, a oração para que um dia o Senhor na sua bondade nos acolha e faça contemplar a sua glória", concluiu. "

Para quem quiser conferir segue o link: http://www.acidigital.com/noticia.php?id=22089

O mundo sem Deus desvaloriza o ser humano

"No outro lado do lago, na terra dos gadarenos, dois possessos de demônios saíram de um cemitério e vieram-lhe ao encontro. Eram tão furiosos que pessoa alguma ousava passar por ali. Eis que se puseram a gritar: Que tens a ver conosco, Filho de Deus? Vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?
Havia, não longe dali, uma grande manada de porcos que pastava. Os demônios imploraram a Jesus: Se nos expulsas, envia-nos para aquela manada de porcos. Ide, disse-lhes. Eles saíram e entraram nos porcos. Nesse instante toda a manada se precipitou pelo declive escarpado para o lago, e morreu nas águas.
Os guardas fugiram e foram contar na cidade o que se tinha passado e o sucedido com os endemoninhados. Então a população saiu ao encontro de Jesus. Quando o viu, suplicou-lhe que deixasse aquela região." Mt 8,28-34

Uma rápida reflexão sobre o Evangelho de ontem acerca do valor do ser humano.
Jesus ao passar por uma região onde poucos eram fiéis ao Deus de Israel (e percebemos isso por criarem e comercializarem porcos, que era proibido entre os judeus), passa por um lugar onde existem dois homens possuídos pelo demônio. Logo, estes são expulsos e enviados aos porcos (considerados animais impuros para os judeus, sinal de impureza) e essa manada pulou nas águas e se perdeu. 
A reação dos que cuidavam dos porcos foi contarem na cidade o acontecido. Então a população foi ao econtro do Senhor não para agradecer a libertação daquelas duas vidas, daqueles dois homens, mas pediram para que ele saísse do local porque estava dando prejuízo! O valor maior foi dado aos porcos e não aos homens. Num lugar onde a fé no Senhor Deus era pequena, os principais valores não incluiam a vida humana como prioridade. Te lembra algo que acontece hoje?
No mundo em que vivemos, onde todos atacam a fé, onde muitos não acreditam ou não querem acreditar em Deus, qual é a prioridade dos valores? O ser humano ou os bens materiais, situações e cargos confortáveis, dinheiro, fama e poder? Se olharmos a necessidade de impor o aborto, a eutanásia, a pena de morte, e tantas outras formas de descartar o ser humano podemos deduzir que não é a vida huamana. A valorização do ser humano passa prioritariamente pela valorização daquele que o criou: Deus.
Que Nosso Senhor nos ajude a recuperar a fé e a visão, que não nos deixe cegos diante do erro que se comete contra Aquele que nos criou e com a obra-prima de Sua criação: o ser humano.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Pensamento de Madre Tereza de Calcutá

"Tenha sempre presente que a pele se enruga, o cabelo embranquece, os dias convertem-se em anos... Mas o que é importante não muda... a tua força e convicção não têm idade. O teu espírito é como qualquer teia de aranha. Atrás de cada linha de chegada, há uma de partida. Atrás de cada conquista, vem um novo desafio. Enquanto estiver viva, sinta-se viva. Se sentir saudades do que fazia, volte a fazê-lo. Não viva de fotografias amareladas... Continue, quando todos esperam que desista. Não deixe que enferruje o ferro que existe em você. Faça com que, em vez de pena, tenham respeito por você. Quando não conseguir correr através dos anos, trote. Quando não conseguir trotar, caminhe. Quando não conseguir caminhar, use uma bengala. Mas nunca se detenha." 

"A acolhida faz o estéril ser fecundo"

O post de hoje foi inspirado numa frase do Padre João do Santurário de São Judas Tadeu em sua homilia de ontem. A passagem foi a da primeira leitura (2 Reis 4,8-11.14-16) que segue abaixo:

Certo dia, Eliseu passou por Sunam. Lá morava uma senhora rica, que insistiu para que fosse comer em sua casa. Depois disso, sempre que passava por lá, Eliseu parava na casa dessa mulher para fazer suas refeições. 
E ela disse ao marido: “Tenho observado que este homem, que passa tantas vezes por nossa casa, é um santo homem de Deus. Façamos para ele, no terraço, um pequeno quarto de alvenaria, onde colocaremos uma cama, uma mesa, uma cadeira e um candeeiro. Assim, quando vier à nossa casa, poderá acomodar-se ali”.
Um dia, Eliseu passou por Sunam e recolheu-se àquele pequeno quarto para descansar. Eliseu perguntou a Giezi, seu servo: “Que se poderia fazer por esta mulher?” Giezi respondeu: “Nem pergunta! Ela não tem filhos e seu marido já é velho”.
Eliseu mandou então chamá-la. Giezi a chamou, e ela pôs-se à porta. Eliseu disse-lhe: “Daqui a um ano, neste tempo, estarás com um filho nos braços”.

Ao comentar esta passagem o padre afirmou: "A acolhida faz o estéril ser fecundo". Essa frase ficou martelando em minha cabeça e quis refletir um pouco sobre ela. Sabemos todas as escolhas que fazemos em nossa vida se dividem em duas opções fundamentais: amor ou egoísmo. 
Se escolho a segunda opção, escolho por me fechar em mim mesmo, deixo de lado as necessidades dos outros e para cuidar de mim e de meus desejos. Quando o egoísmo nos leva a tomar atitudes, normalmente estas machucam a nós e aos outros. Mais ainda, vamos ficando estéreis da graça de Deus, não porque Ele deixa de nos oferecer (afinal a graça não depende de nossos méritos, é graça!), mas porque nós nos fechamos a ponto de não aceitá-las...  
Se ao contrário, minha opção é pelo amor, opto por fazer "à maneira de Deus" e por fazer aquilo que o próprio Criador pensou como nossa missão principal. somos criados a partir do amor e e para o amor! Somos filhos de um Deus que é amor (I Jo 4,8.16), ou seja, devemos ser "amorzinhos"... assim com filho de peixe, peixinho é! Assim, a "acolhida" passa a ter o sentido de amar já que nos leva a acolher o próximo, primeiro dentro de nós e depois fisicamente. Não é somente um abraço num irmão na porta da Igreja, ou dar um copo de água, é mais do que isso, é primeiro acolher aquele próximo dentro de si, e dar a ele não somente o abraço ou o copo de água, mas o melhor que você tem junto com estes gestos concretos. Fazemos isto a partir da graça de Deus, porque não é fácil! Sozinhos não conseguiriamos acolher muita gente por ai... já pensou naquela pessoa que te incomoda, que te persegue, que espalhou mentiras sobre você, que te humilhou??? Pois é... fica difícil acolhê-la por nós mesmos, né? É preciso a graça de Deus. Então quando me decido por acolher a graça de Deus e amar o próximo, passo a ser fecundo espiritualmente, pois o amor gera vida! 

A fecundidade espiritual pode muito bem se transformar em fecundidade física! Quando vemos aquela casal que acolheu o profeta Eliseu, que o amou ao ponto de construir um "puxadinho" para ele se abrigar quando quisesse, percebemos que a abertura à graça de Deus, ao amor, gerou vida não somente interior, mas física. Um ano depois, contrariando as leis naturais (porque o amor de Deus faz isso por nós) aquela mulher estava com um filho em seus braços!

O Senhor nos chama a gerarmos vida, a sermos fecundos e para isso Ele nos quer dar as graças necessárias! Mas depende também de nossa decisão de acolher a Sua graça e do esforço por amar o próximo. Assim a vida será gerada tanto em nós quanto no irmão. Fico imaginando quanta vida gerou Madre Tereza de Calcutá em seu esforço por receber a graça de Deus e amar. Pense na força vital que ela emanava, mesmo com suas limitações no final de sua vida. Tanto era assim que muitas pessoas foram salvas da "morte" espiritual e física. Não sei quanto a você, mas quando vejo uma foto desta mulher me emociono ao ver a vida que existia nela, fico até sem graça... É a fecundidade que ela passava!
Que possamos escutar o chamado de Deus para fecundar num mundo que muitas vezes legisla em favor da morte, a vida... e vida em abundância! Amém!

sábado, 18 de junho de 2011

Providência de Deus + protagonismo = Vida feliz

Para entender a equação do título quero fazer uma breve reflexão a partir do tema do Evangelho de hoje, que é a Providência. Sempre que pedimos algo para Deus, ficamos ansiosos porque queremos aquilo imediatamente, temos dificuldade de esperar... é próprio do ser humano esse imediatismo, o querer tudo para agora, ainda mais quando diz respeito a algo que ele quer muito...
Gosto sempre de dizer que a Providência de Deus não se resume em receber a benção, a graça pedida, ao contrário, ela acontece já na espera daquela benção. Mais ainda, a Providência de Deus abrange a nossa vida como um todo, não são apenas momentos em que recebo algo, pode se manifestar em momentos em que perco algo. Mas quero ir além para explicar melhor...
A nossa vida não é algo estático, feita apenas de alguns momentos bons e ruins, momentos que nos marcam... não! Ela precisa ser vista como um todo,cada instante, cada decisão, cada situação pequena ou grande que me acontece completa este todo.A vida é dinâmica e tudo o que vivemos tem ligação entre si!
Vejamos alguns exemplos pra entender melhor.Primeiro começamos com o exemplo clássico... rs. Você está pedindo a Deus que lhe dê uma pessoa, na realidade “a pessoa”... mas ela tá demorando um bocado pra chegar... Esse tempo de espera é o tempo em que você não de ficar focado na pessoa que está pra chegar, mas em como você se prepara para ela, mais ainda, de viver bem todas as coisas! Veja só, suponhamos que você teve dificuldades em outros relacionamentos amorosos, ou mesmo que você tenha passado por dificuldades familiares e tals. Então você, por tudo isso, se torna uma pessoa insegura (apenas um exemplo, nada é tão exato). Se você não procurou resolver essas situações dentro de você, quando você encontrar aquela pessoa sua insegurança pode pesar no seu namoro e pode dar tudo errado. Então aquela pessoa não era a pessoa certa? Talvez sim e talvez não, mas uma coisa é certa, você não se preparou adequadamente pra viver um bom relacionamento, entendeu?
Outro exemplo, você pediu aquele emprego pra Deus e tá demorando...prepare-se! Resolva o que precisa ser resolvido tanto dentro de você (exemplo: insegurança diante de superiores, dificuldade de trabalhar em equipe, etc) e afie seus instrumentos, sua habilidade e conhecimento. Vai que chega o emprego pedido e você não está preparado... complica, né? Depois vai botar a culpa em Deus...
A nossa vida é uma seqüência de situações que se relacionam dentro de nós. Quando deixamos de enfrentar a vida, os problemas, os sofrimentos de frente, quando deixamos de resolver e curar as marcas e as feridas de nossas batalhas, quando preferimos ignorar todas essas coisas por medo da dor, apenas adiamos o inevitável. Mais cedo ou mais tarde, tudo aquilo que não resolvemos virá nos cobrar resolução. E normalmente acontece nos momentos em que estamos frágeis, que estamos mais sensíveis... ai pra resolver é muito mais complicado! Resolva tudo o que puder o quanto antes! Existe uma metáfora que se tornou clichê de tanto que se fala, mas que é uma realidade: sua vida é um espetáculo e você é o protagonista, o ator principal... mas Deus é o diretor! Se você buscar a sua direção, vai acertar no cumprimento do papel. Mas se não seguir seus conselhos, e se não assumir o protagonismo, se apenas quiser “deixar a vida te levar”, então você perderá o controle sobre ela! A vida é um dom de Deus, e junto com esse dom, Deus nos deu os dons da inteligência, da vontade e da liberdade justamente para que sejamos os protagonistas e que esse protagonismo, que se dá através de nossas escolhas, nos leve em direção às escolhas de Deus que se manifestam através de sua Providência!
Que Nosso Senhor nos conduza nesse protagonismo rumo à vontade de Deus, pois assim aproveitaremos melhor a Providência Dele que é a manifestação concreta de Seu amor por nós! Amém!

domingo, 12 de junho de 2011

Pentecostes: de Discípulos a Apóstolos!

Uma breve reflexão sobre este dia tão abençoado para a Igreja e que se renova a cada ano na Liturgia: o Pentecostes.
Os discípulos de Cristo, caminharam com Ele e aprenderam muita coisa ao Seu respeito e até mesmo sobre si mesmos. Durante esse aprendizado eles cresceram como homens de Deus, vivenciaram e obtiveram conhecimentos importantes sobre o amor de Deus e sobre o Reino que começava a ser implantado a partir de Jesus. A partir da Paixão e morte do Senhor, vemos que estes mesmos discípulos não sabem o que fazer com aquilo que viveram e aprenderam. Além disso estavam confusos com tudo o que tinha acontecido e com medo por conta da perseguição que os cristãos estavam sofrendo. Os discípulos tinham aprendido tudo aquilo que Deus queria que aprendessem, mas agora estavam perdidos sem o Mestre. Como poderiam ser discipulos se não tinham Mestre entre eles? E, se aprenderam o que precisavam, o que faltava?
Faltava o Pentecostes, faltava a Força do Alto, o Paráclito que os acompanharia, e mais, que os transformaria de discípulos a Apóstolos, de pessoas um pouco mais passivas, que mais assistiam as ações do Mestre, em pessoas ativas que testemunhavam quem de fato era Seu Mestre, inclusive fazendo as obras que Ele fazia, dando continuidade à implantação do Reino!
Muitos de nós, pelo tempo que caminhamos com Deus ou pelo conhecimento que temos, achamos que já temos o suficiente, que já basta. Nos tornamos auto-suficientes, arrogantes, donos de nós mesmos. Imagine, se os Apóstolos que viveram com intensidade a presença e os ensinamentos de Jesus durante três anos ainda precisavam de mais, quem somos nós para acharmos que somos ou que podemos algo? Não, não podemos mesmo! Sozinhos não podemos! Muitos ainda acreditam que somente participar de algo, ir ver e assistir tá ótimo. Não está! É preciso tomar a responsabilidade para si, é preciso o compromisso com Deus, e esse compromisso é atuante!
É por isso que, como eles, precisamos do Pentecostes, ou seja, do auxílio deste espírito que nos transforma de discípulos a Apóstolos, que nos dá os dons necessários para deixarmos de lado o comodismo do assistir a obra de Deus para sermos missionários que assumem a responsabilidade de ajudar na construção do Reino!
Que Nosso Senhor nos ajude a viver o Pentecostes todos os dias de nossa vidas, que não permita que fiquemos cegos pela arrogância e auto-suficiência que nos enganam e que o comodismo não nos engesse, mas sejamos guiados pelo Espírito de humildade que nos faz ver de fato qual é a Vontade de Deus para nós, e que essa Vontade é o que nos fará realizados e felizes! Vem Senhor Jesus!

terça-feira, 7 de junho de 2011

O amor a Deus segundo o testemunho de Paulo

Gostaria de fazer uma breve reflexão sobre o posicionamento de Paulo diante da pergunta que o amor nos coloca: devo dar ou não a minha vida por Deus?
Pensei muito nisso ao ler a leitura da Liturgia de hoje que compartilho com vocês: 

Leitura (Atos 20,17-27)

17 Mas de Mileto mandou a Éfeso chamar os anciãos da igreja. 
18 Quando chegaram, e estando todos reunidos, disse-lhes: "Vós sabeis de que modo sempre me tenho comportado para convosco, desde o primeiro dia em que entrei na Ásia. 
19 Servi ao Senhor com toda a humildade, com lágrimas e no meio das provações que me sobrevieram pelas ciladas dos judeus. 
20 Vós sabeis como não tenho negligenciado, como não tenho ocultado coisa alguma que vos podia ser útil. Preguei e vos instruí publicamente e dentro de vossas casas. 
21 Preguei aos judeus e aos gentios a conversão a Deus e a fé em nosso Senhor Jesus. 
22 Agora, constrangido pelo Espírito, vou a Jerusalém, ignorando a que ali me espera. 
23 Só sei que, de cidade em cidade, o Espírito Santo me assegura que me esperam em Jerusalém cadeias e perseguições. 
24 Mas nada disso temo, nem faço caso da minha vida, contanto que termine a minha carreira e o ministério da palavra que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho ao Evangelho da graça de Deus. 
25 Sei agora que não tornareis a ver a minha face, todos vós, por entre os quais andei pregando o Reino de Deus. 
26 Portanto, hoje eu protesto diante de vós que sou inocente do sangue de todos, 
27 porque nada omiti no anúncio que vos fiz dos desígnios de Deus".

Paulo é uma figura que me impressiona muito. Como ele mesmo disse, sofreu e chorou muito por Jesus, ao enfrentar as dificuldades próprias do Ministério da Palavra. Ele de fato entregou sua vida para realizar a vontade de Deus, para cumprir o mandato de levar o Evangelho a toda criatura. Muitas vezes foi abadonado até mesmo pelos que amava por ser fiel ao Senhor. 
Quando ele diz que sabe que virão cadeias e perseguições e que não tem sua vida em conta, podemos ficar impressionados e achar isso muito bonito. Aliás, é bonito ouvir isso de qualquer pessoa! Mas essa beleza precisa se encarnar, ser vivenciada, ser testemunhada, para que as palavras tenham força! São Paulo fez isso, e mais... o fez antes mesmo de falar! Ao dizer essas palavras ele já tinha demonstrado com a vida que isto é verdade. Há muito tempo já não dava conta de sua vida, há muito tempo já tinha deixado de viver para si para viver apenas para o Senhor através do Ministério da Palavra! E isso me impressiona muito!
Que paixão era essa que Paulo tinha pelo Senhor que o fazia mergulhar de cabeça??? Que loucura era essa que nos faz (com nosso pensamento segundo a lógica do mundo) ficar confusos diante de tanto amor e sacrifício? Amor e sacrifício... Amor e doação... andam juntos! E São Paulo nos mostrou isso... com certeza aprendeu bem de Jesus! 
O sacrifício do amor é dar o melhor de nós, mesmo quando esse melhor para nós é pouco. Este pouco é valorizado pelo esforço que fazemos. Explico: Sempre que enfrentamos alguma dificuldade nos deparamos com a opção de enfrentá-la ou parar nela. Essa dificuldade vai tentar nos parar, nos fazer recuar, talvez exija muito de nós! Então, por amor vou continuar dando minha vida. Veja: é muito fácil dar o melhor de si nos momentos bons, tranquilos, alegres. Não exige muito de nós! Mas e nos momentos difíceis, nos momentos exigentes, naqueles momentos que parecem nos tomar todas as forças? São nesses momentos que o pouco que damos (acabamos tendo pouco pra dar) se torna muito, pois o grande valor está nesse sacrifício, nesse esforço, pois ele mostra que amamos e que não estamos satisfeitos ou acomodados com aquilo, que queremos amar ainda mais!. Não estou falando de sacrificar-se apenas por sacrificar-se, de maneira vazia, ou mesmo buscar sacríficios por masoquismo ou algo assim. Estou falando de algo muito realista, de uma experiência existencial que faz com que o ser humano cresça e valorize aquilo que tem dentro de si, aquilo que ele é de fato no Coração de Deus: filho do Amor! 
O mundo nos oferece tantas opções que acabamos vivendo a "cultura do descartável", onde qualquer dificuldade é motivo para que se descarte a fé, os sonhos, os relacionamentos, os projetos, afinal existem tantas opções... e então deixamos de lutar para simplesmente trocar. Escolhemos o fácil, abandonamos a luta, mas pagamos o preço nos tornando fracos e sem determinação. Mais uma vez quero voltar ao exemplo de Paulo, que ao invés de diante das dificuldades descartar seu relacionamento com Deus, sua fé, o projeto do Senhor (que também se tornou o seu) de levar a Palavra, foi em frente e não se deixou vencer, não permitiu nem mesmo que o cansaço, a perseguição, a rejeição, a falta de compreensão vencessem seu amor por Deus! Por isso pode dizer com a consciência tranquila: "Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé" (II Tm 4,7). Confesso que  me sinto envergonhado diante do exemplo desse homem!
O sacrifício é o termômetro do amor. Volto a afirmar: não é por masoquismo (um sacrifício vazio), o que valoriza e dá sentido ao sacrifício é o que está por trás dele... o amor! Diante dessa afirmação cabe a nós a pergunta: 
Amo a Deus? Diante desse amor por Ele o que fazer? Dar a nossa vida ou guardá-la? O que estamos fazendo por Jesus? 
Que Nosso Senhor nos ajude a amá-Lo como Paulo o fez! Que possamos um dia dizer como esse grande evangelizador, esse grande apaixonado por Deus, combatemos o bom combate! Assim seja!