domingo, 1 de abril de 2012

Palavra de vida de Abril de 2012

Partilho com vocês a Palavra que será meditada por todos os membros do Focolares durante do mês de abril de 2012. Esta reflexão foi feita pela fundadora Chiara Lubich, em maio de 1982.  

““Vós já estais puros por causa da palavra que vos anunciei.” (Jo 15,3)

Certamente o coração dos discípulos, ouvindo esta tão decidida palavra de encorajamento de Jesus, deve ter tido um sobressalto de alegria. Como seria maravilhoso se Jesus pudesse dirigi-la também a nós! Para sermos mais dignos disso, vamos tentar compreendê-la. Jesus acabou de fazer a conhecida comparação da videira e dos ramos. Ele é a verdadeira videira, o Pai o agricultor, que corta os ramos infrutíferos e poda todo ramo que dá fruto, a fim de que frutifique ainda mais.
Após essa explicação, ele afirma:

“Vós já estais puros por causa da palavra que vos anunciei.”

“Já estais puros...”. Mas de que pureza Jesus está falando? Trata-se daquela atitude de espírito necessária para estar diante de Deus, da ausência daqueles obstáculos (como o pecado, por exemplo) que se opõem ao contato com o sagrado, ao encontro com o divino. Para termos essa pureza é necessária uma ajuda do Alto.
Já no Antigo Testamento o homem havia tomado consciência da sua incapacidade de aproximar-se de Deus contando unicamente com as próprias forças. Era preciso que Deus purificasse o seu coração, lhe desse um coração novo.
Há um belíssimo Salmo que diz:
“... criai em mim, ó Deus, um coração puro” (Sl 51,12).

“Vós já estais puros por causa da palavra que vos anunciei.”

Pelo que diz Jesus, existe um meio para sermos puros: é a sua Palavra. Aquela Palavra que os discípulos ouviram e acolheram foi que os purificou. Com efeito, a Palavra de Jesus não é como as palavras humanas. Nela está presente o Cristo assim como ele está presente, de outra maneira, na Eucaristia. Através dela Cristo entra em nós. Aceitando-a, praticando-a, fazemos com que Cristo nasça e cresça em nosso coração.
Paulo VI dizia: “De que modo Jesus se torna presente nas almas? Através da comunicação da Palavra passa o pensamento divino, passa o Verbo, o Filho de Deus feito homem. Poderíamos afirmar que o Senhor se encarna em nosso íntimo quando nós aceitamos que a Palavra venha viver dentro de nós”1.

“Vós já estais puros por causa da palavra que vos anunciei.”

A Palavra de Jesus é comparada também a uma semente lançada no íntimo de quem crê. Uma vez acolhida, ela penetra no homem e, como uma semente, desenvolve-se, cresce, dá frutos, “cristifica”, tornando-nos semelhantes a Cristo. Interiorizada assim pelo Espírito Santo, ela tem realmente a capacidade e a força de conservar o cristão longe do mal: enquanto ele deixar agir em si a Palavra, ficará livre do pecado e, portanto, puro. Só cairá no pecado se deixar de obedecer à verdade.

“Vós já estais puros por causa da palavra que vos anunciei”.

Como devemos viver, então, para também merecermos o elogio de Jesus?
Colocando em prática cada Palavra de Deus, nutrindo-nos dela momento por momento, fazendo da nossa existência uma obra de contínua reevangelização. Isto para chegarmos a ter os mesmos pensamentos e sentimentos de Jesus, para revivê-lo no mundo, para mostrar a uma sociedade – muitas vezes emaranhada no mal e no pecado – a divina pureza, a transparência que o Evangelho proporciona.
Durante este mês, além disso, quando for possível (ou seja, se também outras pessoas compartilharem nossas intenções), procuremos colocar em prática de maneira especial aquela Palavra que exprime o mandamento do amor recíproco: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. Para o evangelista João, que nos traz a frase de Jesus que hoje estamos considerando, existe realmente uma ligação entre a Palavra de Cristo e o mandamento novo. Diz ele que é no amor recíproco que se vive a Palavra com seus efeitos de purificação, de  santidade, de impecabilidade, de fruto, de proximidade com Deus. O indivíduo isolado é incapaz de resistir por muito tempo às solicitações do mundo, enquanto que ele encontra no amor mútuo o ambiente sadio capaz de proteger a sua existência cristã autêntica.”

Chiara Lubich

1. Insegnamenti di Paolo VI, V, Cidade do Vaticano 1967, p. 936

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