O post de hoje foi inspirado numa frase do Padre João do Santurário de São Judas Tadeu em sua homilia de ontem. A passagem foi a da primeira leitura (2 Reis 4,8-11.14-16) que segue abaixo:
Certo dia, Eliseu passou por Sunam. Lá morava uma senhora rica, que insistiu para que fosse comer em sua casa. Depois disso, sempre que passava por lá, Eliseu parava na casa dessa mulher para fazer suas refeições.
E ela disse ao marido: “Tenho observado que este homem, que passa tantas vezes por nossa casa, é um santo homem de Deus. Façamos para ele, no terraço, um pequeno quarto de alvenaria, onde colocaremos uma cama, uma mesa, uma cadeira e um candeeiro. Assim, quando vier à nossa casa, poderá acomodar-se ali”.
Um dia, Eliseu passou por Sunam e recolheu-se àquele pequeno quarto para descansar. Eliseu perguntou a Giezi, seu servo: “Que se poderia fazer por esta mulher?” Giezi respondeu: “Nem pergunta! Ela não tem filhos e seu marido já é velho”.
Eliseu mandou então chamá-la. Giezi a chamou, e ela pôs-se à porta. Eliseu disse-lhe: “Daqui a um ano, neste tempo, estarás com um filho nos braços”.
Ao comentar esta passagem o padre afirmou: "A acolhida faz o estéril ser fecundo". Essa frase ficou martelando em minha cabeça e quis refletir um pouco sobre ela. Sabemos todas as escolhas que fazemos em nossa vida se dividem em duas opções fundamentais: amor ou egoísmo.
Se escolho a segunda opção, escolho por me fechar em mim mesmo, deixo de lado as necessidades dos outros e para cuidar de mim e de meus desejos. Quando o egoísmo nos leva a tomar atitudes, normalmente estas machucam a nós e aos outros. Mais ainda, vamos ficando estéreis da graça de Deus, não porque Ele deixa de nos oferecer (afinal a graça não depende de nossos méritos, é graça!), mas porque nós nos fechamos a ponto de não aceitá-las...
Se ao contrário, minha opção é pelo amor, opto por fazer "à maneira de Deus" e por fazer aquilo que o próprio Criador pensou como nossa missão principal. somos criados a partir do amor e e para o amor! Somos filhos de um Deus que é amor (I Jo 4,8.16), ou seja, devemos ser "amorzinhos"... assim com filho de peixe, peixinho é! Assim, a "acolhida" passa a ter o sentido de amar já que nos leva a acolher o próximo, primeiro dentro de nós e depois fisicamente. Não é somente um abraço num irmão na porta da Igreja, ou dar um copo de água, é mais do que isso, é primeiro acolher aquele próximo dentro de si, e dar a ele não somente o abraço ou o copo de água, mas o melhor que você tem junto com estes gestos concretos. Fazemos isto a partir da graça de Deus, porque não é fácil! Sozinhos não conseguiriamos acolher muita gente por ai... já pensou naquela pessoa que te incomoda, que te persegue, que espalhou mentiras sobre você, que te humilhou??? Pois é... fica difícil acolhê-la por nós mesmos, né? É preciso a graça de Deus. Então quando me decido por acolher a graça de Deus e amar o próximo, passo a ser fecundo espiritualmente, pois o amor gera vida!

A fecundidade espiritual pode muito bem se transformar em fecundidade física! Quando vemos aquela casal que acolheu o profeta Eliseu, que o amou ao ponto de construir um "puxadinho" para ele se abrigar quando quisesse, percebemos que a abertura à graça de Deus, ao amor, gerou vida não somente interior, mas física. Um ano depois, contrariando as leis naturais (porque o amor de Deus faz isso por nós) aquela mulher estava com um filho em seus braços!
O Senhor nos chama a gerarmos vida, a sermos fecundos e para isso Ele nos quer dar as graças necessárias! Mas depende também de nossa decisão de acolher a Sua graça e do esforço por amar o próximo. Assim a vida será gerada tanto em nós quanto no irmão. Fico imaginando quanta vida gerou Madre Tereza de Calcutá em seu esforço por receber a graça de Deus e amar. Pense na força vital que ela emanava, mesmo com suas limitações no final de sua vida. Tanto era assim que muitas pessoas foram salvas da "morte" espiritual e física. Não sei quanto a você, mas quando vejo uma foto desta mulher me emociono ao ver a vida que existia nela, fico até sem graça... É a fecundidade que ela passava!
Que possamos escutar o chamado de Deus para fecundar num mundo que muitas vezes legisla em favor da morte, a vida... e vida em abundância! Amém!
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