sábado, 30 de abril de 2011

I - O processo de ser livre para amar!

"1. Se eu falasse as línguas dos homens e as dos anjos, mas não tivesse amor, eu seria como um bronze que soa ou um címbalo que retine. 2. Se eu tivesse o dom da profecia, se conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, se tivesse toda a fé, a ponto de remover montanhas, mas não tivesse amor, eu nada seria. 3. Se eu gastasse todos os meus bens no sustento dos pobres e até me entregasse como escravo, para me gloriar, mas não tivesse amor, de nada me aproveitaria. 4. O amor é paciente, é benfazejo; não é invejoso, não é presunçoso nem se incha de orgulho; 5. não faz nada de vergonhoso, não é interesseiro, não se encoleriza, não leva em conta o mal sofrido; 6. não se alegra com a injustiça, mas fica alegre com a verdade. 
7. Ele desculpa tudo, crê tudo, espera tudo, suporta tudo.
8. O amor jamais acabará. As profecias desaparecerão, as línguas cessarão, a ciência desaparecerá.
9. Com efeito, o nosso conhecimento é limitado, como também é limitado nosso profetizar. 10. Mas, quando vier o que é perfeito, desaparecerá o que é imperfeito. 11. Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Quando me tornei adulto, rejeitei o que era próprio de criança. 12. Agora nós vemos num espelho, confusamente; mas, então, veremos face a face. Agora, conheço apenas em parte, mas, então, conhecerei completamente, como sou conhecido.
13. Atualmente permanecem estas três: a fé, a esperança, o amor. Mas a maior delas é o amor."

Hoje quero fazer uma reflexão a partir desta linda passagem de I Cor 13. Uma passagem talvez mais  conhecida no Brasil, não por ser uma das mais belas, mas por ter sido cantada pelo Legião Urbana a partir de um poema de Camões... 
A passagem acima fala do amor ideal, ou seja, o amor de Deus! Mas, também nós como imagem e semelhança desse Deus Amor (I Jo 4,8) somos chamados a vivê-lo. Acontece que nós temos as nossas limitações, todos nós somos limitados, e cada um é limitado à sua maneira. Essas limitações são provenientes de nosso temperamento (uns fortes e outros mais brandos - escreverei um post sobre esse assunto qualquer dia desses), de nossa história de vida (e aqui entram nossos sofrimentos, rejeições, violências, ou mesmo o "excesso de zelo" para os mimados, entre outros), além é claro dos desequilíbrios causados pela concupiscência como o egoísmo, a vaidade, o orgulho, etc. 
E aqui entrarei num tema muito discutido em todos os tempos por diversos estudiosos que é a liberdade. A partir das limitações que citei (e são só algumas dentre muitas outras, afinal não pretendo esgotar todas as possibilidades pois teria que escrever muitos livros...) podemos entender então que não somos totalmente livres em nossas escolhas. Veja, quando você escolhe por algo, toda a carga de seu temperamento, sua história de vida e tudo mais estão inclusos naquela escolha de maneira consciente ou não. Então, se você percebe que algo que influencia muito determinada escolha é uma limitação, por exemplo o medo, você pode tanto continuar optando por aquilo quanto lutar para deixar aquela escolha e superar o medo. Um exemplo bem simples seria você não querer viajar por medo de acontecer um acidente, talvez porque você já tenha vivido algum em sua vida ou porque perdeu um ente querido dessa maneira... Você pode optar por continuar permitindo que aquele medo te atrapalhe de seguir a vida ou lutar contra ele, não deixar que ele cresça, escolhendo fazer aquela viagem mesmo sabendo que terá que enfrentar os desconfortos próprios do medo. Depois, com o tempo você vai superando estes desconfortos e o próprio medo. Perceberá, talvez, que o monstro não era algo tão grande quanto pensava...


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