domingo, 27 de novembro de 2011

A dor faz ver!

"A cruz, a dor, principalmente a dor continuada, é um dos maiores dons que Deus pode nos proporcio­nar. Imersos nela, parece-nos ser transferidos para a escuridão da atmosfera, onde é mais clara a visão das coisas longínquas.Quando ela falta, é fácil termos a ilusão de que os vagalumes são astros e fazemos concessões ao nosso eu, à nossa vanglória, pensando que isso tudo está a serviço de Deus e é compatível, aliás útil, para a sua glória. De modo que lhe oferecemos uma vida que é uma mistura de incenso e fumaça.
Quando, no entanto, a dor nos visita e não nos deixa, compreendemos melhor as palavras dos santos, que convidam ao esquecimento e à anulação de si, à autenticidade diante dos homens e de Deus.
E esta constatação pode ser tão forte, que do profundo da alma surgem sinceros atos de gratidão para com Aquele que permite a dor.
A cruz nos dá a garantia de estarmos no cami­nho certo, assegura-nos de que tudo prossegue bem, porque se amplia o diâmetro das raízes da árvore de nossa vida: sinal evidente de que a copa está se abrindo para uma nova beleza.
E percebemos que as bem-aventuranças, anun­ciadas por Cristo, não são palavras de simples encorajamento ou apenas promessas, mas realidade.
E que não é de modo algum impossível, a quem cho­ra, sentir-se “bem-aventurado” justamente naquele pranto. Uma bem-aventurança diferente da que há de vir, mas que não deixa de ser bem-aventurança."

Chiara Lubich

Fonte: http://voluntariosdesaopaulo.blogspot.com/2009/09/dor-faz-ver.html

Feliz ano novo!!!

Olá pessoal! Gostaria de partilhar rapidamente uma inspiração que tive ontem.
Hoje estamos no primeiro dia do calendário liturgico, ou seja, um ano novo se inicia a partir do itinerário espiritual proposto pelas celebrações da Igreja Católica. É diferente, é claro, do calendário civil, mas podemos viver o clima de expectativas, de esperança, de novidade e de confiança na Providência de Deus em nossa vida espiritual. Importante também é entender que o que vivemos em nossa caminhada espiritual transborda em todas as áreas de nossa vida. 
Por isso, convido você a viver o novo proposto pela liturgia, aprofunde-se nos mistérios que iremos celebrar este ano, nas solenidades e festas e também no tempo comum. Nas leituras e em tudo o que for proposto pela liturgia, com certeza você vai se surpreender com o quanto Deus falará com você, e como isto pode e vai fazer a diferença em sua vida como um todo!
Desejo a você um ano novo abençoado, onde a profundidade através da intimidade com Deus te leve a perceber a importância dos detalhes de Deus, mas também se surpreender com as grandes obras que Ele tem para você! Feliz ano novo!

domingo, 20 de novembro de 2011

O que distingue as ovelhas do Senhor não está na aparência, mas na motivação profunda que nos move em tudo o que fazemos

Um breve pensamento a respeito da primeira leitura e do Evangelho de hoje: 

Leitura (Ezequiel 34,11-12.15-17)

11 Pois eis o que diz o Senhor Javé: vou tomar eu próprio o cuidado com minhas ovelhas, velarei sobre elas.
12 Como o pastor se inquieta por causa de seu rebanho, quando se acha no meio de suas ovelhas tresmalhadas, assim me inquietarei por causa do meu; eu o reconduzirei de todos os lugares por onde tinha sido disperso num dia de nuvens e de trevas.
15 Sou eu que apascentarei minhas ovelhas, sou eu que as farei repousar - oráculo do Senhor Javé.
16 A ovelha perdida eu a procurarei; a desgarrada, eu a reconduzirei; a ferida, eu a curarei; a doente, eu a restabelecerei, e velarei sobre a que estiver gorda e vigorosa. Apascentá-las-ei todas com justiça.
17 Quanto a vós, minhas ovelhas, eis o que diz o Senhor Javé: vou julgar entre ovelha e ovelha, vou julgar os carneiros e os bodes.

Evangelho (Mateus 25,31-46)

25 31 Disse Jesus a seus discípulos: “Quando o Filho do Homem voltar na sua glória e todos os anjos com ele, sentar-se-á no seu trono glorioso.
32 Todas as nações se reunirão diante dele e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos.
33 Colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda.
34 Então o Rei dirá aos que estão à direita: ‘Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo,
35 porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes;
36 nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim’.
37 Perguntar-lhe-ão os justos: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e te demos de beber?
38 Quando foi que te vimos peregrino e te acolhemos, nu e te vestimos?
39 Quando foi que te vimos enfermo ou na prisão e te fomos visitar?’
40 Responderá o Rei: ‘Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes’.
41 Voltar-se-á em seguida para os da sua esquerda e lhes dirá: ‘Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos.
42 Porque tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber;
43 era peregrino e não me acolhestes; nu e não me vestistes; enfermo e na prisão e não me visitastes’.
44 Também estes lhe perguntarão: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, peregrino, nu, enfermo, ou na prisão e não te socorremos?’
45 E ele responderá: ‘Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que deixastes de fazer isso a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer’.
46 E estes irão para o castigo eterno, e os justos, para a vida eterna”.

A diferença entre os cabritos e as ovelhas, e mais ainda, a distinção existente entre as ovelhas não se dá pelas aparências como estamos acostumados a pensar e fazer. Perdemos muito tempo com o superficial. Deus olha além e consegue perceber ali, no coração, nas motivações que nos levam a pensar, falar e agir, a grande distinção. Se faço com amor, se minha motivação principal é o amor, ouviremos com alegria a frase que mais ansiamos ouvir em nossa existência: "Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo". Com certeza nenhuma frase que ouvimos ou ouviremos nos dará mais alegria do que esta. Pois é esta a passagem para a vida eterna em Deus, para a realização plena!

sábado, 5 de novembro de 2011

Rede de supermercados Bretas é comprada por valor 30% superior ao de mercado

"Publicação: 18/10/2010 

Bastou um quarto de século para que o empresário mineiro Estevam Duarte de Assis, presidente do grupo Irmãos Bretas por 25 anos, transformasse um pequeno armazém de sete funcionários na pacata Santa Maria de Itabira (10.785 habitantes), localizada na Região Central do estado, no conglomerado bilionário que acaba de ser vendido para a rede chilena Cencosud, por R$ 1,35 bilhão, um valor 30% maior do que o estimado pelo mercado. E bastaram três meses para que a rede de 70 lojas, 15 postos de combustível, 12 mil empregados e faturamento estimado de R$ 2,5 bilhões em 2010 fosse inteiramente vendida. Diferentemente do que se poderia imaginar, as desavenças familiares estão longe de ser o estopim da transação. Por trás das decisões racionais da venda do grupo, como necessidade de diversificar o negócio da família fazendo uma transição tranquila para as futuras gerações, há um intrigante projeto de vida.

“Tenho um projeto de vida que está ligado à religião e já passou o tempo de parar para me dedicar a ele”, diz Estevam de Assis, do alto dos seus 54 anos. Trata-se de uma missão divina, acredita. Para cumpri-la, há mais de dez anos ele e a esposa fizeram um voto de simplicidade. Vivem num apartamento de classe média, de três quartos, andam num Palio 1.0, sem vidro elétrico, e limitam as suas despesas a R$ 4.000 ao mês. No apartamento, não tem televisão. Quem conta o motivo é um parente próximo do empresário, que prefere não se identificar. “É que o Estevam gosta muito de ver TV e isso começou a provocar desavenças entre o casal”, explica. Reza a lenda que num dia qualquer a esposa do empresário perguntou a ele o que dariam de presente de casamento para um dos sobrinhos. “Porque não damos a televisão? Ela está provocando muita briga entre a gente”, teria respondido Estevam. O presente foi enviado e pronto, brigas nunca mais.

O voto de simplicidade também inclui um guarda-roupa limitado a 12 camisas. “Se ganho uma a mais, dou outra de presente”, explica. E também a doação à igreja de praticamente todos os rendimentos que recebe pela participação no grupo. “É uma missão que ninguém entende direto. Quanto menos a gente precisa, mais livre a gente é”, explicou ontem Duarte de Assis em conversa com
jornalistas para detalhar a operação de venda do grupo Bretas. Segundo seu assessor, essa seria a última entrevista que ele pretende dar. O ex-presidente do Bretas tem aversão à imprensa, concedeu apenas três entrevistas em toda a sua vida, mas não se furta a um bom papo quando está diante de jornalistas.

Em especial se o assunto é a terapia que usa o método Abordagem Direta do Inconsciente (ADI), criada pela psicóloga e pesquisadora Renate Just de Moraes, que ele promove por meio da Fundação de Saúde Integral Humanística (Fundasinum), e que diz ter modificado inteiramente a sua vida. Animado com a mudança, Estevam passou a indicar o método para toda a família, para empregados de nível gerencial e para padres e freiras, bancando tudo do próprio bolso. Só esse ano, 200 religiosos já receberam tratamento gratuito. E o objetivo agora é formar 40 terapeutas que falem línguas estrangeiras para trabalharem na igreja católica fora do Brasil.

Sem avalista

Foram 25 anos para que o empresário transformasse um pequeno armazém de sete funcionários na pacata Santa Maria de Itabira no conglomerado bilionário
O negócio fechado na última sexta-feira foi concluído sem contar com um banco como avalista, prática incomum no mercado. Na transação, ficaram de fora os imóveis do agora denominado grupo São Francisco, que abrigam 65% da rede de 70 supermercados e 15 postos, uma construtora, três shoppings centers no interior de Minas e dois hotéis em construção. Pelo aluguel das lojas ao grupo chileno, o São Francisco vai receber 1,5% do faturamento da rede vendida. Estevam Duarte afirma que a família voltará ao ramo dos supermercados e que essa volta será rápida. Conta que não houve brigas para vender o Bretas, mas admite que na hora de assinar o contrato, muitos dos sócios se assustaram. “Mas ninguém se negou”. Até aqui, 10% do faturamento do supermercado Bretas era doado à igreja, a título de pagamento de dízimo. O recém-criado grupo São Francisco manterá a tradição  familiar.

Estevam permanece no grupo, agora como presidente do conselho de administração. Dedicará duas horas por dia aos negócios, sem receber um tostão pelo trabalho. No resto do tempo, abraçará a vocação monástica e se entregará às obras sociais. “Quando a gente já está acreditando que o mundo é de um jeito e que tudo caminha nesse rumo, aparece alguém que aponta para outro lado. O Estevam á assim”, define funcionário próximo ao empresário, que também não quis se identificar." 

Fonte: http://www.em.com.br/app/noticia/economia/2010/10/18/internas_economia,186519/rede-de-supermercados-bretas-e-comprada-por-valor-30-superior-ao-de-mercado.shtml

Temos a liberdade para escolher a quem nos submeter

Evangelho (Lucas 16,9-15)

16 9 Disse Jesus aos seus discípulos: "Eu vos digo: fazei-vos amigos com a riqueza injusta, para que, no dia em que ela vos faltar, eles vos recebam nos tabernáculos eternos.
10 Aquele que é fiel nas coisas pequenas será também fiel nas coisas grandes. E quem é injusto nas coisas pequenas, sê-lo-á também nas grandes.
11 Se, pois, não tiverdes sido fiéis nas riquezas injustas, quem vos confiará as verdadeiras?
12 E se não fostes fiéis no alheio, quem vos dará o que é vosso?
13 Nenhum servo pode servir a dois senhores: ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de aderir a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro".
14 Ora, ouviam tudo isto os fariseus, que eram avarentos, e zombavam dele.
15 Jesus disse-lhes: "Vós procurais parecer justos aos olhos dos homens, mas Deus vos conhece os corações; pois o que é elevado aos olhos dos homens é abominável aos olhos de Deus".

Antes de iniciar minha reflexão a respeito do Evangelho de hoje é importante entender o conceito que irei utilizar sobre submissão. Essa é uma palavra que assusta as pessoas logo que começam a ler, é uma palavra que causa repugnância, afinal o primeiro pensamento que nos vem é: ”Não sou submisso a ninguém, sou eu quem mando em mim!”  Mas é importante notar que nos submetemos a idéias e formas de fazer, pensar e viver o tempo todo, quer queira ou quer não! Se você participa de um determinado grupo que tem interesses em comum, seja numa igreja, seja num partido político, seja numa ONG, seja num time de futebol, seja lá o que for... tem algumas regras formais e/ou informais e você precisa segui-las! E mesmo que sejam grupos também não tão formais, como por exemplo, um grupo de amigos que se reúne para assistir filmes em determinadas dias e horários, você precisa se submeter a essas datas sob pena de não encontrar ninguém e tampouco o filme! Vamos ir além, tem roupas que muitos não usam porque dizem que é “brega”, certos cortes de cabelo porque são “engraçados” e assim por diante. Te pergunto: não é uma forma de se submeter? As regras, a convenções sociais que mudam, às opiniões e gostos de uma maioria... Você até pode alegar que não veste porque não quer e não foi ninguém que te mandou não vestir, concordo... mas muitas vezes, se a gente pensa que vestir ou fazer algo vai ser motivo de piadas, já nos submetemos ao gosto dos outros e não o fazemos! Isto é também uma forma de submissão. E não adianta alguém neste mundo dizer que é livre e ninguém manda nele... está mentindo!
A grande sacada do Evangelho de hoje é escolher a quem se submeter! Não é a simples condenação da riqueza e do dinheiro, mas da lógica que está por trás destes! Veja só, na lógica do querer ser rico a qualquer custo existe uma ganância desmedida que te leva a se tornar escravo do dinheiro. Muitas pessoas ganham dinheiro sem parar e não conseguem parar mais de querer “fazer” mais dinheiro. Sua vida fica presa nesse triste ciclo. Tudo se torna oportunidade de ganhar mais. O dinheiro escraviza a pessoa a partir de sua ganância, de sua ambição, tornando-a mais egoísta, iludindo-a e mostrando que ela pode ter mais.
Não quero dizer com isso que todos os ricos são assim, ao contrário. A uma tempo atrás vi uma reportagem de um proprietário de uma grande rede de supermercados que não me parecia ser submisso à lógica escravista do dinheiro. Postarei a reportagem após essa reflexão.
Voltando ao Evangelho, existe a lógica do Reino, na qual buscamos viver o que Cristo nos ensinou sobre o amor, a justiça e o bem comum. É uma lógica que nos liberta das amarras do egoísmo, pois o amor nos leva a pensar em si também, é claro, mas também nos outros! Não nos fechamos em nosso “mundinho”, não ficamos ensimesmados, nos abrimos ao próximo, e por isso, nos abrimos à vida pulsante,dinâmica,que nos leva a crescer como pessoas e como filhos de Deus que contribuem para um mundo melhor!
Voltando à questão inicial, sobre sermos submissos, nos deparamos com a afirmação evangélica do versículo 13: “Nenhum servo pode servir a dois senhores: ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de aderir a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro". Diante destas duas opções, por mais paradoxal que seja, sinta-se “livre para se submeter” a uma das duas! A escolha é sua!